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O lugar que cada candidato começou a campanha não foi escolhido por acaso

Ninguém, nem em Brasília nem em Fortaleza, abriu a campanha em território neutro. Todos começaram onde já sentem que precisam ganhar, ou reforçar, espaço

Foto: Reprodução/Redes sociais

O primeiro dia oficial de campanha funcionou como um mapa de intenções.

Em nível nacional, Lula (PT) escolheu São Bernardo do Campo, cidade que marca sua origem como líder sindical. Uma jogada simbólica, de reforço identitário, e não de volume de eleitores. Do outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) abriu a campanha na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, discursando com ataques ao governo Lula e ao STF, além de reproduzir um áudio antigo do pai. O RJ é o reduto eleitoral histórico da família Bolsonaro, embora o ato tenha começado com espaços vazios na orla, perto do Posto 5.

Dois começos de campanha que apostam mais em pertencimento do que em conquista de terreno novo.

No Ceará, a lógica se repete na escala estadual. Elmano de Freitas (PT) abriu a agenda com uma caminhada no bairro Pirambu, em Fortaleza, um bairro de forte tradição popular e histórico de voto à esquerda. Já Ciro Gomes (PSDB), começou o dia no Mercado Central de Fortaleza, point de fluxo popular diário e forte apelo comercial. Cada um escolheu um símbolo diferente do mesmo eleitorado urbano que ambos disputam voto a voto.

À tarde, a agenda dos dois coincidiu. Elmano seguiu para o Cariri, visitando o Horto do Padre Cícero em Juazeiro do Norte, a estátua de Santo Antônio em Barbalha e o Santuário de Fátima no Crato, enquanto Ciro também esteve no Horto do Padre Cícero, além de Redenção, Acarape e Sobral.

O Cariri é a segunda maior concentração eleitoral do Ceará, com mais de 800 mil eleitores aptos a votar. Os dois foram buscar reforço no mesmo lugar, no mesmo dia.

A pesquisa que vai medir o efeito dessa largada já está em campo. O Datafolha registrou um novo levantamento nacional, entrevistando entre 18 e 20 de agosto. A primeira pesquisa presidencial depois do início oficial da campanha. Até lá, fica a leitura possível com o que se tem. Ninguém, nem em Brasília nem em Fortaleza, abriu a campanha em território neutro. Todos começaram onde já sentem que precisam ganhar, ou reforçar, espaço.

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