A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que estava programado para esta quinta feira. E, sinceramente, é preciso parar e discutir o que está acontecendo com os debates eleitorais no Brasil.
Isso é um absurdo.
Uma emissora prepara um debate com antecedência, mobiliza jornalistas, produtores, técnicos, estrutura, equipamentos e uma enorme operação de televisão. Existe planejamento, investimento e compromisso com o público.
Os candidatos, por sua vez, confirmam, desistem, mudam de posição. E, quando tudo já está preparado, decisões judiciais alteram as regras a poucas horas da realização do programa.
A Justiça precisa cumprir o seu papel e garantir igualdade entre os candidatos. Isso é indiscutível.
Mas também é preciso respeitar quem organiza o debate.
E, acima de tudo, é preciso respeitar o eleitor.
O cidadão esperava sentar diante da televisão e ouvir os candidatos à Presidência da República. Queria conhecer propostas, ouvir respostas e acompanhar o confronto de ideias.
No lugar disso, recebeu o cancelamento do debate.
Não estou defendendo candidato, partido, emissora ou decisão judicial. Estou defendendo o direito do eleitor à informação.
É preciso rever esse modelo. Depois das eleições, Justiça Eleitoral, Congresso, partidos e veículos de comunicação precisam sentar à mesa e estabelecer regras claras, previsíveis e respeitadas por todos.
Porque não podemos transformar um dos principais momentos de uma eleição em uma sucessão de desistências, decisões de última hora e insegurança.
Debate é coisa séria. Eleição é coisa séria. O eleitor é coisa séria.
E, do jeito que está, fica a sensação de que tudo virou brincadeira.
E isso, definitivamente, é um absurdo.
