Home 1 Minuto com Sérgio Machado O país onde Laura Cardoso gostaria de nascer de novo

O país onde Laura Cardoso gostaria de nascer de novo

Laura Cardoso morreu aos 98 anos, deixando uma das mais belas e respeitadas trajetórias da dramaturgia brasileira

Foto: Reprodução/Instagram

Há frases que parecem simples quando são ditas, mas ganham uma dimensão diferente quando o tempo passa.

Em 2014, durante uma entrevista ao programa Provocações, da TV Cultura, Laura Cardoso foi questionada sobre a possibilidade de reencarnar. A atriz respondeu que gostaria de voltar a viver em um país onde existissem justiça, igualdade e paz. Também disse que, se pudesse, mudaria o mundo.

Mais de uma década depois, essas palavras voltam a nos tocar de maneira especial.

Laura Cardoso morreu aos 98 anos, deixando uma das mais belas e respeitadas trajetórias da dramaturgia brasileira. Foram mais de oito décadas dedicadas ao rádio, ao teatro, ao cinema e à televisão, atravessando gerações e ajudando a contar a história do Brasil por meio de seus personagens.

Mas há algo especialmente forte naquela resposta.

Depois de uma vida tão longa, Laura não falou em riqueza, fama ou poder. Escolheu três palavras: justiça, igualdade e paz.

E é impossível não trazer essa reflexão para o Brasil de hoje.

Se pudéssemos escolher onde nascer novamente, escolheríamos o Brasil?

E, se escolhêssemos, que Brasil gostaríamos de encontrar?

Um país onde a justiça alcance todos da mesma maneira? Onde igualdade seja mais do que uma palavra bonita? Onde as pessoas possam viver com dignidade, segurança e respeito, mesmo pensando diferente?

Talvez essa seja a maior provocação deixada por Laura Cardoso.

Não sabemos se existe uma próxima vida. Cada pessoa tem sua fé, suas crenças e suas respostas.

Mas sabemos que esta vida existe.

E é nela que podemos fazer alguma coisa.

É fácil desejar um mundo melhor para quem virá depois. Difícil é começar a construí-lo agora. É fácil falar de justiça, mas o desafio é não praticar injustiças. É fácil defender a paz quando todos concordam conosco; difícil é respeitar quem pensa diferente.

Talvez o Brasil que Laura gostaria de encontrar em uma possível nova vida seja justamente o Brasil que precisamos começar a construir nesta.

Um país onde ninguém precise de riqueza ou influência para ter dignidade. Onde a justiça não seja privilégio. Onde a política seja instrumento de transformação e onde a igualdade seja uma oportunidade real.

Laura partiu, mas deixou uma pergunta que permanece viva:

Que país estamos ajudando a construir para quem vem depois de nós?

Eu gostaria de acreditar que, se um dia tivermos a oportunidade de escolher onde nascer novamente, ainda escolheríamos o Brasil.

Não um Brasil perfeito, porque talvez ele nunca exista.

Mas um Brasil mais justo, mais igual, mais humano e mais pacífico.

Um Brasil que não precisasse ser abandonado para ser reencontrado.

E talvez a melhor maneira de garantir isso seja começar a construí lo agora.

Porque não sabemos se teremos uma próxima vida.

Mas esta nós temos.

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