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Projeto da UFC para transformar galpões da época de Dom Pedro II em polo tecnológico avança após dois anos em Quixadá

Uma das principais intervenções está prevista para o galpão de pedras, que possui aproximadamente 400 metros quadrados

Foto: Viktor Braga/UFC

O projeto que pretende dar uma nova utilização aos antigos galpões do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), localizados na área do Açude Cedro, em Quixadá, avançou em mais uma etapa. A proposta prevê a cessão dos imóveis à Universidade Federal do Ceará (UFC), que planeja instalar no conjunto um espaço voltado à cultura, inovação, tecnologia e empreendedorismo. As informações são do O Povo.

As tratativas entre os órgãos envolvidos ocorrem há cerca de dois anos. Atualmente, o processo de cessão segue em tramitação no Dnocs. As construções, erguidas entre o fim do século XIX e o início do século XX, deverão ser restauradas e adaptadas para receber as novas atividades.

Uma das principais intervenções está prevista para o galpão de pedras, que possui aproximadamente 400 metros quadrados. A UFC pretende transformar o imóvel em um ambiente cultural interativo, com conteúdos relacionados à arte digital e à cultura da região.

Entre as experiências planejadas estão atividades imersivas sobre a história da construção do Açude Cedro, simulações relacionadas aos monólitos existentes na região e recriações inspiradas na obra da escritora cearense Rachel de Queiroz. O espaço também deverá contar com um auditório destinado a ações científicas, culturais e de formação.

Outra parte do complexo terá foco no setor tecnológico. O conjunto formado por oito pequenas casas, que somam aproximadamente 600 metros quadrados, além de um anexo com cerca de 168 metros quadrados, deverá receber empresas e empreendimentos ligados à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

A gestão dessa área ficará sob responsabilidade do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo do Campus da UFC em Quixadá (Inove), que integra o Parque Tecnológico da universidade desde 2018. O planejamento também contempla espaços para alimentação, praça, estacionamento e possíveis ampliações futuras.

A iniciativa busca aproveitar a estrutura acadêmica já existente no município. Atualmente, o Campus da UFC em Quixadá oferece oito graduações relacionadas à tecnologia: Ciência da Computação, Design Digital, Engenharia de Computação, Engenharia de Software, Redes de Computadores, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e Cibersegurança. A unidade também possui pós-graduação em Computação.

Com a implantação do complexo, a expectativa da universidade é ampliar a aproximação entre estudantes, pesquisadores, empresas e iniciativas de inovação, além de explorar a relação do projeto com o turismo no entorno do Açude Cedro.

“A localização dos galpões, junto ao Açude Cedro, um dos principais pontos turísticos do município, também abre possibilidades de integração entre cultura, tecnologia e turismo”, informou a UFC em nota enviada ao O POVO.

O avanço das negociações também foi divulgado pelo secretário de Assuntos Federativos do Governo Federal (Seaf), Ilário Marques.

“Em articulação com a UFC e o Dnocs, avançamos na proposta de cessão dos galpões localizados no perímetro do Açude Cedro para a Universidade Federal do Ceará”, afirmou.

Uma reunião de alinhamento reuniu o diretor-geral do Dnocs, Fernando Leão; o reitor da UFC, Custódio Almeida; a diretora do Campus da UFC em Quixadá, Andréia Libório; além de servidores das duas instituições.

“A sinalização do Dnocs é positiva. Agora, seguimos acompanhando e articulando cada etapa para transformar esse projeto em realidade”, acrescentou Ilário.

Construções remontam ao século XIX

Os imóveis fazem parte da história da construção do Açude Cedro. Erguidos entre 1890 e 1906, os galpões serviram de apoio e de usina durante as obras do reservatório, cuja construção foi autorizada ainda durante o Império, por Dom Pedro II.

As edificações foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1977. Posteriormente, o conjunto chegou a receber o Museu do Açude, mais tarde transferido para Fortaleza, e também foi utilizado como base operacional do Dnocs.

Como os imóveis estão há alguns anos sem utilização regular, serão necessárias intervenções de recuperação e adaptação. Segundo a UFC, os trabalhos deverão seguir as normas de preservação arquitetônica e as orientações estabelecidas pelo Iphan.

Ainda não há definição sobre o valor necessário para executar as obras nem sobre o prazo para implantação do complexo. A UFC informou ao O POVO que orçamento, fontes de recursos e cronograma serão estabelecidos após a formalização da cessão e a elaboração do projeto executivo.

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