Estamos chegando ao fim da rodada de entrevistas com os candidatos à Presidência da República no Jornal Nacional. Hoje acontece a última entrevista, com Augusto Cury. Depois de assistir, rever os cortes e acompanhar a repercussão das entrevistas que já foram ao ar, fiquei com uma pergunta:
O eleitor está conhecendo os candidatos ou apenas os seus conflitos?
Jornalista precisa perguntar, confrontar e insistir. Candidato à Presidência não pode escolher apenas as perguntas que deseja responder. Temas polêmicos precisam, sim, ser enfrentados.
Mas uma entrevista presidencial precisa entregar mais do que confronto.
Foi isso que me chamou atenção, especialmente nas participações de Lula e Flávio Bolsonaro. Os cortes produzidos e repercutidos pelo g1 destacaram, naturalmente, os momentos de maior tensão, as contradições e as respostas que mais repercutem nas redes.
Mas será que aquilo que mais rende corte é aquilo que mais ajuda o eleitor a decidir?
Na entrevista de Flávio Bolsonaro, essa sensação ficou ainda mais evidente. Boa parte do tempo foi dedicada ao seu pai, Jair Bolsonaro, ao filme Dark Horse, ao Banco Master, à anistia, às urnas eletrônicas, ao 8 de Janeiro e a outras controvérsias.
Tudo isso merece ser questionado. Algumas respostas foram firmes, outras deixaram dúvidas e houve até reconhecimento de erro.
Mas senti falta de ouvir mais o Flávio candidato e menos o Flávio filho de Bolsonaro.
Queria saber mais sobre o Brasil que ele pretende governar. Economia, saúde, educação, segurança, emprego, contas públicas, Nordeste. Queria conhecer metas, prioridades e, principalmente, como pretende realizar aquilo que promete.
A mesma régua precisa valer para todos, inclusive Lula.
Polêmica dá audiência. Proposta dá trabalho.
A polêmica cabe em poucos segundos. Uma proposta séria exige números, planejamento, orçamento e responsabilidade.
Não basta dizer quem o candidato combate. É preciso dizer o que ele pretende construir.
E hoje, com Augusto Cury, teremos a última entrevista dessa rodada. Mais uma oportunidade para o eleitor ouvir, comparar e tirar suas próprias conclusões.
No fim, a eleição não deveria ser um campeonato de cortes, frases e conflitos.
É uma escolha sobre o futuro.
E fica a pergunta que considero essencial para todos os candidatos:
Depois de toda a polêmica, quem está realmente preparado para governar o Brasil?
Essa resposta não cabe em um corte de 30 segundos.
Cabe na responsabilidade de quatro anos.
