A Polícia Federal investiga a participação de Eduardo Bolsonaro (PL) na organização da estrutura financeira montada nos Estados Unidos para receber recursos destinados à produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Segundo os investigadores, o fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, próximo ao ex-deputado, passou a movimentar valores relacionados ao longa após anos praticamente sem atividade.
Criado no Texas em 2020 para um projeto imobiliário estimado em US$ 21 milhões, o fundo permaneceu sem movimentação relevante até fevereiro de 2025. Naquele mês, recebeu US$ 2 milhões da Entre Investimentos, empresa do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
As informações fazem parte de uma representação apresentada pela PF para fundamentar a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”. O conteúdo veio a público após André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar parcialmente o sigilo do Caso Master. As diligências diretamente relacionadas ao filme, porém, continuam protegidas por sigilo.
De acordo com a PF, o Havengate teria sido estruturado para receber até US$ 24 milhões de Daniel Vorcaro. Os repasses foram interrompidos depois da prisão do então banqueiro.
Mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro estão entre os elementos analisados pelos investigadores. Em uma delas, segundo a PF, o publicitário Thiago Miranda teria enviado a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa na qual Eduardo apresentava orientações sobre a administração dos recursos nos Estados Unidos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também levou esse material em consideração ao avaliar o pedido de abertura da investigação. Para o órgão, Eduardo teria disponibilizado a estrutura relacionada ao Havengate para viabilizar a movimentação dos valores.
A apuração pretende esclarecer se o dinheiro enviado ao fundo foi utilizado exclusivamente na produção do filme ou se teve outras destinações. Uma das hipóteses investigadas é a possibilidade de parte dos recursos ter sido empregada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Transferências de Mineiro
Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, fechou um acordo de colaboração com a PGR e relatou aos investigadores ter realizado sete transferências para o Havengate a pedido de Vorcaro. Os depósitos totalizaram US$ 12,3 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 69 milhões na cotação da época.
Os repasses foram feitos entre fevereiro e setembro de 2025. Eduardo Bolsonaro havia se transferido para o Texas naquele mesmo mês de fevereiro. A PF e a PGR agora apuram se todo o montante foi efetivamente direcionado ao filme ou se parte teve outra finalidade.
O acordo de colaboração de Mineiro foi homologado nesta semana por Mendonça. O ministro também é responsável pelos procedimentos relacionados ao Banco Master e havia autorizado, em julho, a abertura de uma investigação específica sobre a participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento de “Dark Horse”.
Filme teve estreia adiada
A divulgação dos documentos ocorre na data inicialmente prevista para a estreia de “Dark Horse”. O filme tinha lançamento anunciado para 11 de setembro de 2026, mas a produtora Go Up Entertainment decidiu adiar a exibição para depois das eleições e aguardar o avanço das investigações.
A produção também enfrenta dificuldades para encontrar uma distribuidora responsável pela comercialização do longa no Brasil e no exterior.
Eduardo também é alvo de processo no STF
Paralelamente às apurações sobre o filme, Eduardo Bolsonaro enfrenta outra investigação no Supremo. A Primeira Turma da Corte iniciou nesta sexta-feira, 11, o julgamento virtual de um recurso apresentado contra sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A análise está prevista para terminar em 18 de setembro.
A condenação está relacionada à atuação do deputado cassado nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Segundo a decisão judicial, Eduardo teria buscado apoio de integrantes do governo de Donald Trump para pressionar o STF a rever a condenação de Jair Bolsonaro no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
