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Megaoperação contra o CV no Ceará bloqueia R$ 73,5 milhões, revela estrutura para ordenar crimes e prende 100 investigados

Megaoperação cumpriu 100 mandados de prisão e identificou integrantes responsáveis por tráfico, homicídios, cobrança de ‘caixinhas’ e controle territorial

Foto: Nathally Kimberly/SVM

A estrutura de atuação do Comando Vermelho (CV) no Ceará incluía grupos em aplicativos de mensagens e redes sociais usados para distribuir tarefas, organizar ações criminosas e movimentar recursos. Esse foi um dos pontos identificados pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) durante as investigações que levaram à Operação Impacto X, deflagrada nesta quinta-feira, 17.

A ofensiva resultou no cumprimento de 100 mandados de prisão preventiva, sendo 39 contra investigados que estavam em liberdade e 61 contra pessoas que já estavam presas. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 73,5 milhões pertencentes aos investigados, como parte da estratégia de atingir a estrutura financeira do grupo.

Além das prisões, foram cumpridos 112 mandados de busca e apreensão em 14 municípios do Ceará e em unidades prisionais do Piauí e de Santa Catarina. Cerca de 350 policiais civis participaram da operação. Durante as diligências, foram apreendidos mais de 30 celulares, veículos e drogas. Em Fortaleza, dois investigados foram presos em flagrante por tráfico após os policiais encontrarem cocaína e crack.

Investigação começou após prisão de liderança

O trabalho investigativo teve início em dezembro de 2024, a partir da prisão de uma liderança do CV no bairro Cidade 2000, em Fortaleza. Com autorização judicial, os investigadores analisaram dados extraídos dos aparelhos apreendidos e encontraram uma extensa rede de contatos ligados à organização criminosa.

A partir dessas informações, a Draco passou a identificar outros integrantes e a mapear as funções desempenhadas por eles. Segundo o delegado Thiago Salgado, nem todos os investigados tinham ligação direta com a liderança presa em 2024, embora integrassem a mesma facção.

A apuração apontou a existência de diferentes frentes de atuação. Entre elas estavam o tráfico de drogas, identificado internamente pelo código “33”; os homicídios, relacionados ao código “121”; e atividades de “contenção” e arrecadação.

Os integrantes responsáveis pela “contenção” atuavam no controle territorial de determinadas regiões e também recolhiam a chamada “caixinha”, contribuição financeira paga pelos integrantes à facção.

As conversas analisadas também indicaram o uso dos grupos para planejar homicídios, coordenar o tráfico de drogas, realizar extorsões e determinar a cobrança de valores de comerciantes e moradores.

Operação alcançou 14 municípios

Os mandados foram cumpridos em Fortaleza, Pacatuba, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Paracuru, Cascavel, Umirim, Itarema, Morada Nova, Baturité, Tauá, Quixadá e Juazeiro do Norte. Também houve diligências em unidades prisionais do Piauí e de Santa Catarina.

O delegado-geral da PCCE, Márcio Gutierrez, afirmou que a ofensiva busca retirar de circulação integrantes envolvidos em crimes violentos e atingir a capacidade financeira da organização.

“Essa operação tem o objetivo principal de tirar de circulação criminosos perigosos, criminosos violentos, criminosos envolvidos em práticas de homicídios, distorções, de ameaças, de crimes efetivamente conectados à atuação dessa organização criminosa”, disse.

A Operação Impacto X corresponde à 10ª fase da Operação Impacto, segundo a Polícia Civil. A investigação continua com o objetivo de localizar outros integrantes que ainda estejam foragidos.

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