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Caiado propõe ampliar escolas cívico-militares e de tempo integral no Brasil

A representante da campanha e ex-secretária de Educação de Goiás, Fátima Gavioli, afirmou que as escolas cívico-militares apresentam bons resultados de proficiência, embora reconheça que os índices não superam os das unidades de tempo integral

Foto: Lucas Fermin/SeedPR

A ampliação das escolas cívico-militares e do ensino em tempo integral está entre as propostas da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República nas eleições de 2026. As diretrizes foram apresentadas por Fátima Gavioli, representante da campanha e ex-secretária de Educação de Goiás, durante entrevista ao programa Educação em Debate, da TV Folha.

Na conversa, Gavioli defendeu os dois modelos com base na experiência goiana, onde esteve à frente da pasta durante a gestão de Caiado, entre 2019 e 2026. Ela afirmou que as escolas cívico-militares apresentam bons resultados de proficiência, embora reconheça que os índices não superam os das unidades de tempo integral. A representante, porém, não apresentou dados para embasar a comparação.

Goiás iniciou a adoção do modelo cívico-militar no fim da década de 1990 e atualmente reúne 105 unidades desse tipo, distribuídas entre as redes estadual e municipais, figurando entre os estados com maior número de escolas militarizadas no país.

Segundo Gavioli, a procura por vagas nas escolas cívico-militares em Goiás é elevada, principalmente pela disciplina adotada nas instituições. Ela afirmou que a campanha não definiu metas numéricas para ampliar o modelo, mas pretende seguir critérios semelhantes aos utilizados no estado, priorizando regiões vulneráveis e com altos índices de criminalidade. A proposta também prevê que militares da reserva envolvidos no projeto tenham formação na área da educação.

Apesar da defesa das unidades cívico-militares, a representante afirmou que o foco principal de um eventual governo Caiado seria expandir o ensino integral associado à formação profissionalizante, especialmente no ensino médio. Na avaliação dela, oferecer qualificação para o mercado de trabalho pode tornar a permanência dos jovens na escola mais atrativa para famílias em situação de vulnerabilidade econômica.

Gavioli também apresentou sugestões para o Pé-de-Meia, programa federal de incentivo financeiro a estudantes do ensino médio criado durante o governo Lula (PT). A proposta da campanha é estender o benefício a todos os alunos dessa etapa, independentemente da inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).

Outra mudança defendida seria estabelecer valores distintos para estudantes do ensino integral e parcial, além de condicionar o pagamento ao desempenho escolar. Pela sugestão, o aluno precisaria alcançar nota mínima 6 e frequência de pelo menos 75% nas aulas. O descumprimento dos critérios levaria ao bloqueio do benefício.

A representante também propôs acompanhar a utilização dos recursos pelos estudantes, a exemplo de uma iniciativa adotada em Goiás. Segundo ela, o monitoramento permitiria identificar como o dinheiro é gasto e evitar que os valores sejam destinados a apostas on-line.

Na área de valorização dos profissionais da educação, Gavioli defendeu reajustes do piso salarial dos professores acima da inflação e a criação de um plano de carreira nacional. Ela também sugeriu diminuir de 200 para 180 o número de dias letivos obrigatórios por ano.

Ao justificar a proposta, afirmou que países com bons resultados no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) adotam calendários escolares menores que o brasileiro. Para Gavioli, a quantidade atual de dias de aula não garantiu avanços educacionais e contribuiu para a sobrecarga e o adoecimento dos professores.

A entrevista integra uma série da Folha, realizada em parceria com a Fundação Lemann, o Instituto Natura, a Nova Foundation e a Associação Bem Comum, para discutir as propostas educacionais dos candidatos à Presidência em 2026. Foram convidados representantes de seis candidaturas, mas as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) não enviaram porta-vozes.

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