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Entidades de imprensa criticam intervenção judicial após cancelamento de debate presidencial da Globo

ABERT, ANER e ANJ afirmam que decisões alteraram regras previamente acordadas entre emissora e partidos e prejudicaram acesso dos eleitores às propostas dos candidatos

Foto: Globo/Manoella Mello

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram, nessa quinta-feira, 1º, uma nota conjunta em reação ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno, que seria realizado pela TV Globo.

As três entidades manifestaram solidariedade à emissora e classificaram as decisões judiciais que interferiram nas regras do encontro como uma “agressão à liberdade de imprensa”. Segundo a nota, as condições para a realização do debate haviam sido definidas previamente entre a Globo e os partidos.

O debate foi cancelado pela emissora após decisões judiciais alterarem as regras do programa. Entre as mudanças, houve determinação para que a Globo não exibisse um púlpito vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não participaria, e decisão que determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no confronto.

Na avaliação da ABERT, ANER e ANJ, as intervenções ultrapassaram a imposição de obrigações à emissora e afetaram a condução do debate conforme as regras estabelecidas anteriormente. As entidades também afirmaram que a alteração das condições do encontro acabou prejudicando o direito dos cidadãos de acompanhar as propostas dos candidatos que haviam sido convidados e confirmado participação.

“O direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos” foi apontado pelas associações como uma das consequências do cancelamento. A manifestação foi divulgada em Brasília e é assinada conjuntamente pelas três entidades.

Confira a nota completa:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno. 

As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.

Brasília, 1º de outubro de 2026.

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais

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