Os eleitores brasileiros vão às urnas neste domingo, 4, para definir os próximos ocupantes da Presidência da República, dos governos estaduais e das cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. Entre tantos cargos, a escolha dos parlamentares costuma ser deixada para os últimos momentos por parte do eleitorado.
Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Rennó, porém, a definição dos votos para o Legislativo merece atenção. Em entrevista ao podcast Me Conta+, da Câmara dos Deputados, ele afirmou que o Congresso Nacional ampliou sua participação nas decisões sobre políticas públicas nos últimos anos.
Segundo Rennó, deputados e senadores passaram a exercer influência maior não apenas por meio da elaboração e votação de leis, mas também pela participação na definição do Orçamento da União. O crescimento das emendas parlamentares, incluindo aquelas cuja execução é obrigatória, aumentou o poder dos congressistas sobre a aplicação de recursos públicos.
O professor orienta os eleitores a observarem como os parlamentares utilizam as emendas e quais áreas são contempladas. Entre os pontos que podem ser analisados estão os recursos destinados à saúde, educação e outras políticas públicas, além dos grupos e localidades beneficiados.
Número de candidatos dificulta comparação
Outro fator apontado por Rennó é a quantidade de candidatos e legendas que participam das disputas proporcionais. Para ele, o grande volume de informações pode dificultar a análise dos nomes que concorrem às vagas de deputado federal e estadual.
O professor também relaciona essa dificuldade ao funcionamento do sistema proporcional, no qual a distribuição das cadeiras considera o desempenho dos partidos e federações, além da votação individual dos candidatos.
Por isso, segundo Rennó, a análise do eleitor não deve ficar restrita ao nome que aparece na urna. O partido ao qual o candidato está vinculado também deve ser considerado, já que as legendas participam da formação das bancadas, da definição das prioridades políticas e da distribuição de recursos para as campanhas.
Acompanhamento depois da eleição
Rennó também defendeu que a relação entre eleitor e parlamentar não termine após a votação. Com o fortalecimento do Legislativo, ele considera necessário acompanhar a atuação dos representantes durante o mandato e cobrar resultados.
Entre os aspectos que podem ser observados estão os projetos apresentados, a participação nas votações, as propostas apoiadas e as leis para as quais o parlamentar contribuiu. O acompanhamento da utilização dos recursos públicos também deve fazer parte dessa avaliação.
O cientista político destacou ainda que o trabalho de deputados e senadores não se limita às atividades realizadas dentro do Congresso, em Brasília. Segundo ele, os parlamentares também mantêm atuação nos estados e municípios de origem, onde acompanham demandas da população e problemas locais.






