Reeleito para o Senado e um dos principais articuladores da campanha que levou Elmano de Freitas (PT) a um novo mandato no Governo do Ceará, Cid Gomes (PSB) comentou, neste domingo, 4, sobre a relação com o irmão, Ciro Gomes (PSDB), derrotado pelo petista na disputa pelo Palácio da Abolição.
Apesar de terem apoiado candidatos diferentes na eleição, Cid afirmou que o vínculo de respeito e admiração pelo irmão permanece. “O Ciro, para mim, continua sendo a mesma pessoa que eu respeito e admiro. Só por questões políticas, nós estivemos em lados opostos, mas ele, para mim, continua sempre sendo a referência que é”, declarou.
Desempenho de Ciro em Sobral
Cid também avaliou a expressiva votação de Ciro em Sobral, principal reduto eleitoral da família Ferreira Gomes. O tucano recebeu 82.525 votos no município, o equivalente a 70,09% dos votos válidos.
Para o senador, o resultado está relacionado à identificação dos moradores com a trajetória política da família na cidade.
“Sobral é uma cidade bairrista, que tem uma autoestima muito forte. O sobralense enxergava nele (Ciro) uma oportunidade de Sobral ter mais prestígio”, afirmou.
Cid acrescentou que pretende cobrar de Elmano ações para o município durante o novo mandato. “O meu desafio maior agora, nos próximos quatro anos, é fazer com que as pessoas não fiquem chateadas comigo porque o Elmano foi eleito. Então vou perturbar muito o Elmano para que o governo dele possa fazer muito em Sobral”, disse.
Ausência na festa da vitória
Cid não esteve na confraternização realizada no comitê central de Elmano, em Fortaleza. Após o encerramento do evento, porém, participou da coletiva de imprensa ao lado do governador reeleito, da primeira-dama Lia Freitas, da vice-governadora eleita Gabriella Aguiar (PSD), da senadora eleita Luizianne Lins (Rede) e do suplente de senador eleito Chagas Vieira (PDT).
Questionado se a ausência na comemoração teria relação com a derrota de Ciro, o senador negou. Segundo ele, a decisão esteve ligada ao resultado do PSB na disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
Cid afirmou que esperava eleger 14 deputados estaduais pelo partido, mas a legenda terminou com 13 cadeiras. Entre os nomes que ficaram em situação indefinida durante a apuração estava sua irmã, Lia Gomes (PSB).
“Me sinto responsável por um partido, no qual a gente tem alegrias e tristezas. Eu contava que fizéssemos 14, mas infelizmente fizemos 13, e a minha irmã Lia estava fora. Para ela entrar, o Salmito ficou fora, e ele é como se fosse um irmão para mim, pelo que eu tenho de respeito e carinho”, explicou.
Lia acabou confirmada como reeleita nos momentos finais da apuração, com 40.123 votos. Salmito, também do PSB, terminou como primeiro suplente da legenda, com 40.500 votos.
Cid contou que havia avisado Elmano que não participaria da festa caso a irmã não conseguisse a reeleição. Ele permaneceu aguardando a conclusão da apuração em Pires Ferreira, último município cujos votos, segundo ele, ainda precisavam ser registrados.
“Eu tinha dito ao Elmano: se a Lia não se eleger, eu não vou (para a festa no comitê central). Eu fiquei esperando o voto de Pires Ferreira, que foi a última cidade a ter os votos apurados ou registrados pelo menos”, relatou.
Elmano vence no primeiro turno
Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará neste domingo, 4, com 2.875.573 votos, correspondentes a 53,19% da votação. Ciro Gomes terminou em segundo lugar, com 2.498.891 votos, ou 46,22% dos votos válidos.
A vitória garantiu a continuidade do grupo político que governa o Ceará desde 2007, quando Cid Gomes iniciou seu primeiro mandato. Depois dele, Camilo Santana (PT) comandou o Estado e, posteriormente, Elmano assumiu o governo.
O resultado também aprofundou o distanciamento político dentro da família Ferreira Gomes, que já vinha sendo marcado por divergências entre Cid e Ciro.
Durante sabatina do PontoPoder, Cid já havia afirmado que gostaria de reconstruir a relação política com o irmão, mas relatou que Ciro não demonstrava interesse na reaproximação. “Já manifestei isso várias vezes e ele disse que não quer”, afirmou na ocasião.
Ciro, por sua vez, evitou comentar a relação com Cid durante a campanha. Em uma das poucas ocasiões em que abordou o assunto, o tucano relembrou conflitos que teve com aliados ao defender o irmão no passado.
“Já tive atritos feios” com atuais aliados por sair em defesa de Cid, afirmou. Segundo Ciro, os conflitos ocorreram porque ele reagia a críticas dirigidas ao irmão. “Nada no campo moral, mas ele (Capitão Wagner) atacava o Cid, e eu amava o Cid loucamente, de forma sem reserva”, declarou.






