Dois advogados foram presos nesta sexta-feira, 9, durante a operação “Elo Oculto”, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) para investigar uma suposta rede de comunicação entre uma liderança do Comando Vermelho (CV), presa, e integrantes da facção que estão fora do sistema penitenciário.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Ao todo, são cumpridos oito mandados judiciais, sendo quatro de prisão e quatro de busca e apreensão. Até o momento, as identidades dos advogados presos não foram divulgadas.
Conforme o MPCE, os investigados teriam ligação com Geovane Diogo Silva Oliveira, apontado como liderança local da organização criminosa e que já se encontra preso. A esposa dele, que estava em liberdade, também é alvo da operação. Segundo as apurações, ela e Geovane atuariam na intermediação dos contatos com os advogados, que são suspeitos de utilizar o exercício profissional para a prática de crimes.
Os mandados são cumpridos em Caucaia, Fortaleza, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante, com participação da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Investigação apura comunicação entre presos e integrantes da facção
De acordo com o promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto, as investigações identificaram uma estrutura responsável por repassar mensagens, orientações e informações de dentro da prisão para pessoas em liberdade. O mecanismo teria permitido que a liderança mantivesse articulações com outros integrantes do grupo mesmo durante o período de custódia.
A operação tem como finalidade interromper esse sistema de comunicação e impedir que o ambiente prisional seja utilizado para coordenar atividades relacionadas à organização criminosa.
As investigações continuam para identificar e localizar outros possíveis envolvidos no esquema.
Relação com a Chacina do Benfica
Geovane Diogo Silva Oliveira também é citado nas investigações relacionadas à Chacina do Benfica, ocorrida em Fortaleza, em 2018. Na época, ele seria o alvo de criminosos que buscavam vingança pela morte de uma pessoa registrada cerca de um mês antes do massacre.
Segundo as apurações sobre o caso, os autores do ataque receberam informações de que Geovane, conhecido como “Geo”, estaria na Praça da Gentilândia naquela noite. Ele não foi encontrado no local, mas seu primo, José Gilmar de Oliveira Júnior, conhecido como “Júnior Biba”, foi morto. Ele foi a primeira vítima assassinada na chacina.
Em 2019, dois homens acusados de participação no massacre foram julgados e condenados a penas de 189 e 170 anos de prisão, respectivamente.
