A segunda e última entrevista dos candidatos à Presidência no Jornal Nacional, conduzida por Renata Lo Prete, colocou Flávio Bolsonaro diante de temas delicados de sua trajetória e de seu projeto de governo.
O caso mais tenso foi o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Questionado sobre os valores solicitados a Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, o senador negou irregularidades, mas não esclareceu de forma convincente todas as dúvidas sobre a origem e o destino dos recursos. O assunto exige apuração, não condenações antecipadas.
Outro momento controverso foi a defesa de sua visão sobre o 8 de Janeiro, quando minimizou a tentativa de golpe e classificou como farsa o julgamento do pai. Também chamou atenção a promessa de não disputar a reeleição, a proposta de combate ao narcotráfico e a posição sobre a jornada de trabalho 6×1.
Na avaliação de comentaristas, Flávio demonstrou preparo para as câmeras, mas perdeu a paciência em alguns momentos e desviou de perguntas incômodas. A entrevista também expôs uma contradição recorrente: apresentar-se como alternativa moderada enquanto mantém posições centrais do bolsonarismo.
O desafio, porém, não é apenas convencer o eleitor de que está preparado. É explicar como pretende governar, apresentar propostas consistentes e responder com transparência às questões que envolvem sua trajetória pública.
Em uma democracia, entrevistas duras não são perseguição, assim como respostas ensaiadas não substituem esclarecimentos.
No fim, o que deve pesar não é quem venceu o confronto na televisão, mas quem ofereceu ao eleitor as respostas mais claras, verificáveis e responsáveis.






