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Arreio de Prata: a demolição de um espaço de sonhos e de uma parte da história de Quixeramobim

A arte e a identidade sertaneja estavam presentes na ambientação, com imagens que valorizavam a paisagem, a cultura e a beleza do nosso Sertão

Foto: Reprodução SerTão TV

A demolição do Arreio de Prata, em Quixeramobim, não representa apenas o fim de uma estrutura física. Para quem acompanhou de perto o nascimento daquele empreendimento, como eu, é também a despedida de uma história construída com visão, investimento, trabalho e o desejo de oferecer ao povo de Quixeramobim e de toda a região uma grande casa de shows.

Tive o privilégio de acompanhar esse projeto desde a escolha do nome até a montagem dos últimos acessórios. Conheci de perto a ideia, o planejamento e a determinação do homem que tornou aquele sonho realidade: o engenheiro e ex-vereador Rubens Torres de Holanda, o nosso querido Rubinho, in memoriam.

Inteligente, preparado e visionário, Rubinho acreditou que Quixeramobim merecia um espaço à altura dos grandes eventos. E assim nasceu o Arreio de Prata, um empreendimento que surpreendia pela beleza e pela estrutura. Havia um grande palco, camarins, cozinhas, banheiros e espaços planejados para receber artistas, equipes de produção e milhares de pessoas.

A construção também contou com profissionais de fora, envolvidos na concepção e execução dos ambientes das palhoças. A arte e a identidade sertaneja estavam presentes na ambientação, com imagens que valorizavam a paisagem, a cultura e a beleza do nosso Sertão. Não era apenas uma casa de shows. Havia ali uma preocupação com a experiência do público e com a identidade do lugar.

O tempo passou, e aquele palco recebeu artistas consagrados da música brasileira. Reginaldo Rossi, Alcione, Raça Negra e grandes nomes do forró fizeram parte dessa trajetória. Foram noites de festa, encontros, emoções e lembranças que permanecem vivas na memória de quem frequentou o espaço.

O sonho de Rubinho estava concretizado e fincado na terra que ele tanto defendia e amava. O Arreio de Prata projetou Quixeramobim no circuito de grandes eventos e atraiu públicos de diferentes municípios do Sertão Central.

Mais tarde, o empreendimento passou para as mãos do empresário Edilberto Ferreira, que deu continuidade às atividades e manteve o espaço como uma referência do entretenimento regional por muitos anos.

Com o passar do tempo, porém, as atividades foram encerradas. O imóvel foi vendido e, agora, as imagens da demolição marcam o encerramento de um capítulo importante dessa história.

O registro desse momento nos convida a refletir. Mais do que mostrar a transformação de um imóvel, é uma oportunidade de recuperar a memória de um empreendimento que fez parte da vida de gerações de quixeramobinenses e de tantos visitantes.

É natural que a cidade cresça, se transforme e receba novos investimentos. Cada época tem suas necessidades, e novos empreendimentos também podem representar oportunidades de desenvolvimento e geração de empregos. Mas o progresso não precisa apagar a memória. É importante que as histórias sejam contadas, os personagens sejam reconhecidos e as experiências que ajudaram a construir a identidade do município sejam preservadas.

Acompanho a comunicação e a história de Quixeramobim há décadas. Por isso, olhar para as imagens da demolição do Arreio de Prata é também revisitar uma parte da minha própria caminhada profissional e pessoal.

As paredes vão ao chão, o palco desaparece e os espaços que um dia receberam multidões deixam de existir. Mas nenhuma máquina é capaz de demolir as lembranças de quem viveu aquela história.

Assim foi a trajetória do Arreio de Prata: um sonho que virou realidade, marcou uma época e deixou sua assinatura na memória de Quixeramobim.

Uma história que merece ser lembrada.

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