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A elegância de dar razão a um tolo

Ou a sublime arte de vencer uma discussão sem participar dela

Imagem gerada por IA

Com a idade, descobri que certas discussões não são debates. São cerimônias religiosas, nas quais o político de estimação é o santo, a corrupção é um detalhe litúrgico e a inteligência, infelizmente, não foi convidada.

Tenho um amigo que pratica essa devoção com admirável fervor.

Se o adversário é acusado de roubar, exige prisão imediata. Se o acusado pertence à sua confraria, recomenda prudência, compreensão e, dependendo do tamanho do desfalque, até uma homenagem.

Para ele, a honestidade não é uma virtude. É uma questão de filiação partidária.

Certa ocasião, depois de ouvi-lo transformar escândalos em epopeias, suspeitas em perseguições e improbidades em pequenos acidentes contábeis, limitei-me a sorrir:

— Você tem razão!

Foi uma maravilha!

O homem preparara um duelo e encontrou um aperto de mão. Trouxera um arsenal de argumentos e descobriu que seu adversário havia saído para passear.

Ficou com aquela expressão de maestro que ergue a batuta e percebe que a orquestra foi almoçar.

Desde então, adotei o método.

Pouco importa se o devoto é de esquerda, de direita ou desse centro tão flexível que consegue abraçar qualquer governo sem deslocar uma vértebra.

Quando a paixão política dispensa o discernimento, a conversa deixa de ser diálogo e vira procissão.

E eu, que respeito a fé alheia, não tenho vocação para carregar andor de político.

Minha concordância, naturalmente, não significa adesão. É apenas uma delicada medida de higiene mental.

Afinal, nem toda provocação merece resposta, nem toda ignorância precisa de contraditório.

Hoje, diante de um defensor apaixonado pelo seu corrupto de estimação, ofereço meu sorriso mais diplomático:

— Você tem toda razão!

Ele se sente vitorioso.
Eu me sinto libertado.

Ele conserva suas certezas.
Eu conservo meus neurônios.

E ambos saímos satisfeitos, embora por motivos rigorosamente diferentes.

Aprendi que não é preciso derrotar a estupidez. Basta recusar o convite para participar de sua solenidade.

Por isso, deixo que meu interlocutor vença por aclamação.

Afinal, quando um tolo resolve fazer um comício para si mesmo, o mais elegante é retirar-se discretamente.

E, se ao final proclamar vitória, faço questão de parabenizá-lo: foi candidato, eleitor, mesário e urna — e, apesar de tamanha vantagem, conseguiu perder a plateia.

akam

Por Kleber Mineiro

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