Home 1 Minuto com Sérgio Machado Como fica a política do deboche depois das eleições?

Como fica a política do deboche depois das eleições?

Como ficam as conversas, o diálogo quando as eleições acabarem? O candidato volta para o gabinete, mas o vizinho continua morando ao lado

Um comentário da TV Brasil, recortado para as redes, deu nome a um incômodo que muita gente está sentindo nessas eleições: a “política do deboche”.

A lógica é a seguinte. Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, constrange diante das câmeras o ucraniano Volodymyr Zelensky e o sul-africano Cyril Ramaphosa, outros líderes, como o argentino Javier Milei, se sentem liberados para fazer o mesmo.

Aqui no Brasil há quem se eleja justamente com a promessa de ser grosseiro, falando para um público acostumado ao vídeo curto.

E o deboche não fica só na tela.

As organizações Terra de Direitos e Justiça Global contaram 134 casos de violência política e eleitoral nos 50 dias de campanha do primeiro turno deste ano. Dá um caso a cada nove horas, 13 a mais que em 2022. Foram 64 ameaças, 19 agressões físicas e dois assassinatos. Até o fim da coleta, nenhum desses casos tinha terminado em punição.

O medo também é grande. Segundo pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 59,6% dos brasileiros têm medo de ser agredidos por causa de suas escolhas políticas. O número caiu em relação aos 68% de quatro anos atrás, mas continua sendo a maioria.

O teste final vem no domingo (25), no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A Quaest mostra o país dividido ao meio, com 51% a 49% para Flávio nos votos válidos. Empate técnico. O dado que mais diz sobre o clima, porém, é outro. Para 43% dos eleitores, o temor é a volta da família Bolsonaro ao poder. Exatamente os mesmos 43% temem a reeleição de Lula. Para o presidente, rejeitado por 53%, o desafio é transformar essa desconfiança em conversa. Já Flávio, rejeitado por 54% e herdeiro de um sobrenome ligado ao discurso de confronto, continua apostando na lacração.

Em Quixadá, Quixeramobim ou Banabuiú, quem vota diferente divide o banco da praça, a fila da lotérica, a missa, o culto e o almoço de domingo. Como ficam as conversas, o diálogo quando as eleições acabarem? O candidato volta para o gabinete, mas o vizinho continua morando ao lado.

Como ficamos nós? Ainda conseguiremos discordar sem arrogância, com respeito, como cidadãos civilizados?

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