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Lula e Flávio Bolsonaro: entenda as diferenças entre as propostas e os desafios do próximo presidente

Além da formação de uma base parlamentar, o resultado da eleição definirá os rumos de políticas econômicas, sociais e de segurança pública a partir de 2027

Foto: Carlos Moura/Agência Senado | Ricardo Stuckert/Divulgação

Quem vencer o segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), no próximo domingo, 25, terá de negociar com um Congresso Nacional marcado pelo fortalecimento de partidos de direita e centro-direita. Além da formação de uma base parlamentar, o resultado da eleição definirá os rumos de políticas econômicas, sociais e de segurança pública a partir de 2027. Com informações do PontoPoder.

O segundo turno ocorre após uma disputa apertada na primeira etapa da eleição. Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos válidos, enquanto Lula obteve 53,8 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

De um lado, Lula tenta conquistar um quarto mandato presidencial, defendendo a continuidade dos programas sociais e das políticas econômicas implementadas em seu atual governo. Do outro, Flávio Bolsonaro busca levar novamente o grupo político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao Palácio do Planalto, com propostas de redução de impostos, mudanças na atuação do Estado e endurecimento da segurança pública.

A disputa também envolve o apoio de governadores, parlamentares e lideranças regionais. Enquanto Flávio reúne o maior número de governadores eleitos no primeiro turno, Lula conta com a estrutura do governo federal e aliados em diferentes estados, especialmente no Nordeste.

O que Lula e Flávio Bolsonaro prometem?

As propostas dos dois candidatos apresentam diferenças significativas em relação à economia, à política tributária, à segurança pública e às relações de trabalho.

Lula defende a manutenção da política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação, além da continuidade e ampliação de programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia. Na economia, o petista propõe ampliar investimentos, estimular a indústria nacional e aprofundar a tributação progressiva, com maior cobrança sobre os mais ricos.

A campanha do PT também defende medidas de proteção aos trabalhadores de aplicativos e a redução da jornada semanal de trabalho sem diminuição salarial. O fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso e promulgado no último dia 16, tornou-se uma das principais bandeiras do presidente na reta final da disputa.

Nos últimos dias, Lula ainda anunciou medidas de perdão das dívidas de microempreendedores individuais e apresentou uma proposta para garantir transporte público gratuito nos fins de semana.

Na segurança pública, o presidente defende maior integração entre União, estados e municípios, fortalecimento das investigações financeiras contra organizações criminosas e criação de um Ministério da Segurança Pública.

Já Flávio Bolsonaro propõe uma revisão de medidas tributárias adotadas durante o governo Lula, incluindo mudanças na reforma tributária, com o objetivo de reduzir impostos sobre a produção e o consumo.

O candidato do PL também defende maior participação da iniciativa privada na economia, redução da burocracia e mudanças no funcionamento da administração pública. Na segurança, Flávio aposta em medidas mais rígidas de enfrentamento ao crime organizado, fortalecimento das forças policiais e alterações na legislação penal.

O candidato também defende maior flexibilidade na política de armas e o fim das marcações em cartuchos e embalagens, medida que dificultaria o rastreamento de munições.

Caso seja eleito, Flávio afirmou que pretende cumprir apenas um mandato presidencial. Ele disse que pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição para extinguir a possibilidade de reeleição para o cargo. O candidato ainda mudou de posição sobre o fim da escala 6×1. Depois de inicialmente criticar a proposta, votou favoravelmente à mudança e afirmou que não trabalharia para revertê-la caso chegasse à Presidência.

Quem são os principais aliados de cada candidato?

Lula tem como candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), integrante da chapa desde 2022. O presidente também conta com o apoio de partidos de esquerda e centro-esquerda, além de lideranças regionais de outras legendas. Entre os principais aliados estão governadores petistas reeleitos, como Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; e Rafael Fonteles, no Piauí.

No Ceará, a campanha também conta com a atuação do ministro Camilo Santana (PT), do senador Cid Gomes (PSB), do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), e de outras lideranças políticas que têm articulado encontros com gestores municipais e mobilizações de rua.

Flávio Bolsonaro tem como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). Sua candidatura reúne integrantes do PL e políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os principais apoiadores, estão o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O senador também recebeu adesões de antigos adversários da disputa presidencial, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

No Ceará, a campanha de Flávio tem como uma de suas principais lideranças o deputado federal André Fernandes (PL), responsável pela organização de carreatas, adesivaços e outros eventos em diferentes municípios.

O candidato também recebeu o apoio de integrantes do grupo político de Ciro Gomes (PSDB), derrotado na disputa pelo Governo do Ceará, incluindo o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União).

Como ficará a força dos candidatos no Congresso?

Independentemente de quem vencer a eleição presidencial, o próximo governo encontrará um Congresso Nacional com predominância de partidos de direita e centro-direita. Na Câmara dos Deputados, o PL de Flávio Bolsonaro elegeu a maior bancada para a legislatura que começa em 2027, com 121 dos 513 parlamentares. O número representa aproximadamente 24% das cadeiras.

O PT de Lula aparece em segundo lugar, com 70 deputados federais. Considerando também PCdoB e PV, a federação liderada pelo partido terá 88 representantes. Outras legendas com bancadas expressivas serão União Brasil, com 46 deputados; PSD, com 43; PP e Republicanos, com 41 cada; e MDB, com 36. O cenário indica que nenhum dos candidatos terá maioria parlamentar garantida apenas com os integrantes de seu partido.

Para Lula, uma eventual reeleição exigirá a manutenção de acordos com essas legendas para aprovar projetos, garantir apoio ao Orçamento e evitar derrotas legislativas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, teria a vantagem de contar com a maior bancada da Câmara, mas também dependeria de negociações com outras siglas para formar maioria.

No Senado, o PL também terá a maior representação partidária, com 28 das 81 cadeiras, enquanto o PT contará com nove senadores. A composição é especialmente relevante porque cabe ao Senado, entre outras atribuições, aprovar indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e julgar processos de impeachment contra integrantes da Corte.

Para aprovar propostas de emenda à Constituição, o próximo presidente precisará de apoio ainda mais amplo: são necessários pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.

Quem tem mais força nos estados?

A disputa pelo apoio dos governadores também favorece numericamente Flávio Bolsonaro. Considerando os 21 governadores eleitos no primeiro turno, Flávio contabiliza 12 aliados, enquanto Lula soma cinco. O candidato do PL tem apoio em estados estratégicos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do País.

Já Lula ganha força no Nordeste, região onde o PT conseguiu reeleger três governadores: Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; e Rafael Fonteles, no Piauí. Na região, o petista tem como aliados os governadores Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba, e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe.

Quatro dos governadores eleitos no primeiro turno não se manifestaram ou optaram pela neutralidade na disputa presidencial. Entre os estados em que ainda há disputa no segundo turno, Flávio tem apoio de sete candidatos e Lula, de três.

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