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Lula apoia articulação de presidente do PT para afastar grupo chamado de “centrão” do partido

Com o apoio do chefe do Executivo, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, passou a articular o afastamento de dirigentes considerados desalinhados com as orientações partidárias. A iniciativa pode resultar na expulsão de integrantes ligados ao chamado “centrão petista”

Foto: Ricardo Stuckert

Uma disputa pelo futuro do Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defender mudanças na estrutura e na atuação política da legenda. Com o apoio do chefe do Executivo, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, passou a articular o afastamento de dirigentes considerados desalinhados com as orientações partidárias. A iniciativa pode resultar na expulsão de integrantes ligados ao chamado “centrão petista”.

O movimento foi exposto durante uma reunião da Executiva Nacional do PT, na quinta-feira, 29. Edinho defendeu que integrantes que não participaram efetivamente da campanha pela reeleição de Lula deixem a sigla. Caso não haja uma saída voluntária, o dirigente mencionou a possibilidade de um “divórcio litigioso”, expressão interpretada como uma referência à expulsão.

Entre os nomes que podem ser atingidos está o prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá. A relação dele com a direção partidária se deteriorou em meio a divergências sobre a atuação durante a campanha presidencial. O município administrado por Quaquá foi um dos locais em que Flávio Bolsonaro (PL) venceu Lula nos dois turnos.

Outro episódio que gerou questionamentos foi a ausência de Diego Zeidan, filho do prefeito e presidente estadual do PT no Rio de Janeiro, na coordenação da campanha durante parte do segundo turno. Quaquá, entretanto, atribuiu o afastamento do filho a uma recomendação médica, após um episódio de pressão alta. Ele também reivindicou participação direta na campanha e afirmou que conduziu a mobilização de Lula no estado.

O prefeito reagiu duramente às declarações atribuídas à direção nacional. Chamou Edinho de mentiroso, incompetente e fofoqueiro, além de acusá-lo de não aceitar críticas e temer uma disputa pelo comando do partido. “Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença de que sou de favela. Se alguém tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz”, afirmou.

As divergências envolvendo Quaquá não começaram com a eleição presidencial. O dirigente já é alvo de representações na comissão de ética do partido por declarações e posicionamentos controversos, como manifestações em defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco, e sobre uma operação policial no Rio de Janeiro que deixou cerca de 120 mortos. Os pedidos de expulsão apresentados anteriormente, porém, não avançaram.

Cobrança por alinhamento

A ofensiva da direção nacional também alcança outros integrantes do partido. Lula tem demonstrado insatisfação com dirigentes e candidatos que não deram visibilidade ao seu nome durante a campanha eleitoral. Segundo relatos de petistas, o presidente mantém registros de materiais de divulgação nos quais sua imagem foi omitida e espera que os responsáveis sejam cobrados.

Em setembro, Edinho já havia advertido candidatos do PT sobre a necessidade de incluir Lula e outros nomes majoritários apoiados pela legenda nos materiais de campanha. Na ocasião, chegou a mencionar a possibilidade de exigir a devolução de recursos do fundo eleitoral de quem desrespeitasse a orientação.

A discussão faz parte de uma tentativa de redefinir a atuação do PT após a vitória presidencial. Lula tem defendido que o partido responda às manifestações populares que contribuíram para sua reeleição e se aproxime das demandas de renovação, especialmente entre os mais jovens. Também cobra maior alinhamento da legenda às propostas de campanha, incluindo a redução da influência das emendas parlamentares sobre o Orçamento.

A reorganização, entretanto, pode provocar um novo conflito dentro da própria Construindo um Novo Brasil (CNB), principal corrente interna do PT. O grupo reúne Edinho e integrantes que hoje fazem oposição à sua condução. Na eleição que levou o dirigente à presidência nacional da sigla, Quaquá apoiou sua candidatura após um entendimento articulado por Lula.

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