Home 1 Minuto com Sérgio Machado O PT ganhou a eleição, agora precisa vencer a si mesmo

O PT ganhou a eleição, agora precisa vencer a si mesmo

O PT sai das urnas simbolicamente maior do que entrou, mas vitória não é o mesmo que unidade. Quase metade do país votou em Flávio Bolsonaro, e a extrema direita está longe de sumir até 2030

Foto: Ricardo Stuckert

Quem disse que a vitória de Lula não foi do PT não foi um adversário, foi José Dirceu.

Derrotado na disputa por uma vaga de deputado federal em São Paulo, o ex-ministro deu entrevista ao O Globo e cobrou uma reconstrução urgente do partido, com mais mulheres e jovens, mais presença nas redes e conversa com evangélicos e com eleitores de Flávio Bolsonaro (PL).

Esse recado é baseado em números. Lula venceu com 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio, e o próprio Dirceu lembra que o PT perdeu cerca de 700 mil votos para deputado federal em São Paulo. E é justamente em São Paulo que a ferida está aberta.

Uma reportagem da Folha mostra que os petistas do Nordeste reclamam há anos do peso paulista nas decisões do partido, porque o número de filiados em São Paulo desequilibra as votações internas. Só que quem entrega voto é o Nordeste.

Fernando Haddad perdeu o governo paulista para Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda no primeiro turno. No Ceará, Lula fez 68,93% e ganhou nos 184 municípios. Não por acaso, Camilo Santana aparece entre os possíveis herdeiros para 2030 e é cotado para a Casa Civil ou a Justiça.

O Diretório Nacional se reúne no dia 13 para fazer o balanço da campanha, e essa briga pelo comando do partido vai junto.

No Ceará, a arrumação da casa tem outro tom. Reeleito no primeiro turno com 53,19%, Elmano de Freitas já monta o segundo mandato. Segundo o colunista Inácio Aguiar, do Diário do Nordeste, Roberto Sá (Segurança), Mauro Albuquerque (Presídios) e Tânia Mara (Saúde) ficam se quiserem. São técnicos, cuidam das áreas mais sensíveis e estão fora da disputa dos partidos por cargos. Na Casa Civil, Chagas Vieira, eleito suplente da senadora Luizianne Lins (Rede), não deve voltar e é cotado para o governo Lula.

As mudanças devem ser anunciadas em dezembro. O desafio do governador é imprimir a marca dele sem deixar de lado nenhum aliado da base que o reelegeu.

O PT sai das urnas simbolicamente maior do que entrou, mas vitória não é o mesmo que unidade. Quase metade do país votou em Flávio Bolsonaro, e a extrema direita está longe de sumir até 2030. Se o partido resolver gastar os próximos quatro anos brigando entre paulistas e nordestinos, vai entregar o terreno de bandeja.

O eleitor do Ceará vai olhar para o posto de saúde e para a segurança na rua, justamente as áreas que Elmano decidiu não mexer. Vamos ver no que vai dar.

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