O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5, sua renúncia em meio à crise política e financeira provocada pela intervenção do Banco Central do país no Ueno Bank. O episódio desencadeou uma série de questionamentos sobre a situação da instituição e possíveis relações entre seus antigos controladores e integrantes do governo.
O banco, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, teve suas atividades afetadas após a identificação de irregularidades nos indicadores de solvência. Desde 3 de novembro, quando foi determinada a liquidação da instituição, os correntistas estão impedidos de movimentar os valores mantidos nas contas.
A situação também provocou manifestações na capital, Assunção. Nesta quinta-feira, grupos de clientes foram às ruas cobrar a liberação dos recursos retidos e exigir que Santiago Peña seja responsabilizado pelo episódio.
A intervenção foi determinada depois que o Banco Central do Paraguai constatou que o Ueno Bank não atendia aos requisitos mínimos de capital previstos na legislação financeira. Com a medida, os serviços da instituição foram suspensos, deixando milhões de correntistas sem acesso ao próprio dinheiro.
Relações com o governo ampliaram a crise
Além dos problemas financeiros, o caso passou a atingir diretamente o cenário político paraguaio por causa das ligações anteriores de autoridades com a instituição.
Santiago Peña integrou o quadro de acionistas da Ueno Holding, grupo empresarial relacionado ao banco, até março de 2025. Outro personagem citado nas discussões é Carlos Carvallo, que comandou o Ueno Bank antes de assumir a presidência do Banco Central paraguaio, em 2023.
As relações levantaram suspeitas de possíveis conflitos de interesse e motivaram a oposição a apresentar, na Câmara dos Deputados, um pedido de abertura de processo de impeachment contra Peña.
O documento aponta suposto desempenho inadequado do presidente no exercício do mandato e menciona possíveis conflitos de interesse, além de questionar o crescimento de seu patrimônio.
A repercussão também atingiu a autoridade monetária, com a saída de integrantes de sua direção.
Governo promete liberar parte dos depósitos
Diante da situação dos correntistas, o governo paraguaio anunciou medidas para iniciar a restituição dos valores bloqueados por meio do Fundo de Garantia de Depósitos.
A legislação que regulamenta os pagamentos estabelece um prazo de até cinco dias para que os primeiros repasses sejam realizados aos clientes afetados pela crise.






