O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5, sua saída do cargo em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias do país. Na véspera, a Câmara dos Deputados havia recebido um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo.
A renúncia foi comunicada por meio de um vídeo publicado na rede social X. Na declaração, Peña pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua gestão e afirmou que sua preocupação está voltada aos paraguaios que mantinham recursos no sistema financeiro.
“Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, declarou o presidente, ressaltando que busca garantir a segurança das economias dos clientes afetados pela crise.
Contas bloqueadas e protestos
A crise provocou o congelamento de contas bancárias de mais de 3 milhões de pessoas. Em Assunção, capital paraguaia, manifestações foram realizadas por clientes que exigem a restituição dos valores retidos e a responsabilização dos envolvidos.
Nesta quinta-feira, consumidores também formaram filas nas unidades do Ueno Bank na tentativa de retirar o dinheiro depositado na instituição.
Em entrevista à AFP, a médica Teresa Montiel relatou preocupação com os recursos destinados à aposentadoria. Já Marcelino Vergara, de 68 anos, afirmou ter perdido suas economias e disse que dispõe de apenas 8 mil guaranis, aproximadamente R$ 7.
O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou uma intervenção no Ueno Bank após identificar insuficiência de capital, medida que levou à suspensão dos serviços bancários. A repercussão do caso também provocou a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
Peña chegou à Presidência em 2023, com mandato previsto até 2028. Antes de assumir o cargo, o político possuía participação acionária em um grupo empresarial responsável pelo controle do Ueno Bank, do qual se desligou em 2025.
O pedido de impeachment apresentado à Câmara dos Deputados aponta suposto “mau desempenho de suas funções”. Entre os argumentos estão possíveis conflitos de interesse e dúvidas relacionadas à evolução do patrimônio do presidente.
A oposição também acusa Peña de adotar medidas regulatórias que teriam beneficiado o banco e de direcionar recursos previdenciários para a instituição. O governo, por sua vez, anunciou medidas para devolver parte dos depósitos aos correntistas prejudicados.
Governo prevê pagamento a clientes afetados
Na quarta-feira, 4, Peña sancionou uma legislação aprovada em regime de urgência pelo Congresso paraguaio para viabilizar a restituição de parte dos valores retidos. A medida prevê que os recursos sejam disponibilizados aos titulares das contas no menor prazo possível.
De acordo com a norma, os pagamentos deverão ocorrer em até cinco dias. O Banco Central informou que os clientes com depósitos bloqueados terão direito a uma primeira parcela de até 10 milhões de guaranis, equivalente a aproximadamente R$ 9 mil.
O escândalo também resultou na prisão de oito integrantes da direção do Ueno Bank. Entre os detidos está o presidente da instituição, Miguel Vázquez, suspeito de participação nas irregularidades financeiras.
