O Partido Social Democrático (PSD) pretende assegurar a permanência de pelo menos três ministérios na estrutura do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sigla também trabalha para ampliar sua influência na Esplanada, priorizando áreas com forte capacidade de articulação política e atuação nos estados. As informações são do Estadão/Broadcast.
Atualmente, o partido ocupa os Ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca, desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023. Integrantes da legenda avaliam que a participação no governo dificilmente será reduzida, considerando o desempenho da bancada nas votações de interesse do Executivo.
A Agricultura e Minas e Energia estão entre as principais prioridades do PSD para o próximo mandato. A pasta da Agricultura é considerada estratégica pela possibilidade de destinação de emendas parlamentares para obras em estradas vicinais e aquisição de equipamentos agrícolas. Esses recursos também favorecem a articulação política com os 887 municípios administrados pelo partido. Outro fator de interesse é a estrutura de 27 superintendências estaduais do ministério.
A expectativa é de que o PSD continue à frente da Agricultura. Entre os nomes cotados para permanecer ou retornar ao cargo estão o atual ministro André de Paula e o senador Carlos Fávaro, que já comandou a pasta.
Minas e Energia também é vista como uma área de grande relevância para a legenda, devido à sua estrutura de concessões e agências reguladoras. O ministério ainda deve ganhar protagonismo com o avanço das políticas nacionais voltadas aos minerais críticos.
Em relação à Pesca, o PSD pretende negociar a substituição da pasta por um ministério de maior peso político. Transportes, Integração e Desenvolvimento Regional e Cidades aparecem entre as possibilidades discutidas nos bastidores. Atualmente, os três ministérios são ocupados, respectivamente, por MDB, PDT e MDB.
A distribuição dos cargos também deverá levar em consideração as bancadas do partido na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Integrantes da sigla avaliam que os deputados federais podem ter maior participação nas negociações, diante da redução da representação do PSD no Senado.
No governo atual, Alexandre Silveira e Carlos Fávaro representam a bancada do Senado, enquanto André de Paula, ex-deputado federal, ocupa uma posição ligada à Câmara. Silveira e Fávaro são considerados aliados de Lula pelo Palácio do Planalto, que reconhece a atuação dos dois ministros em articulações políticas favoráveis à reeleição do presidente.
Outro nome do PSD que aparece entre os possíveis integrantes do próximo governo é o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes. Uma das alternativas levantadas por interlocutores é a indicação dele para o Ministério das Cidades. Paes apoiou Lula na disputa presidencial e foi derrotado por Douglas Ruas (PL) no primeiro turno da eleição para o governo fluminense. O PSD, entretanto, busca na Justiça uma decisão que permita a realização de segundo turno no estado.
Articulação política
A pretensão do PSD de preservar seu espaço no governo está relacionada à atuação da legenda no Congresso e às articulações conduzidas pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Embora a sigla tenha lançado Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, à Presidência da República no primeiro turno, os filiados ficaram livres para escolher seus apoios na etapa seguinte, sem uma orientação oficial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em 2022, o PSD também adotou neutralidade no segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro (PL), apesar de lideranças partidárias terem declarado apoio ao petista. Dirigentes da sigla argumentam que a participação de senadores e governadores na campanha de reeleição de Lula, além das alianças estaduais com o PT, justificam a continuidade da presença no Executivo federal.
No Planalto, a avaliação é de que o PSD pode desempenhar papel decisivo para a governabilidade no quarto mandato, especialmente diante de um Congresso com maior presença de parlamentares da oposição. A cúpula petista considera necessário ampliar o espaço concedido à legenda em comparação com o atual governo, como estratégia para fortalecer a relação com o centro político.
Nos últimos dias, Kassab intensificou as declarações sobre uma possível aproximação com Lula. Em entrevista ao programa Canal Livre, no domingo, o dirigente afirmou que o PSD poderá apoiar o presidente caso a próxima gestão adote uma agenda econômica alinhada ao centro e apresente propostas claras para o país.
“Se ele fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais, por que não apoiá-lo?”, declarou.
Kassab também defendeu que Lula fortaleça a equipe econômica e encontre nomes com perfil semelhante aos de Henrique Meirelles e Antonio Palocci, que atuaram no primeiro mandato do presidente.
Em entrevista à CNN Brasil, o dirigente afirmou que a condução da economia será determinante para definir o nível de aproximação do PSD com o governo. Ele também mencionou as reformas eleitoral e do Judiciário como fatores que poderão influenciar a relação entre o partido e o Executivo. Kassab ressaltou que a ocupação de cargos não será uma condição inicial para o diálogo.
Já em entrevista ao jornal O Globo, o presidente nacional do PSD afirmou que não descarta voltar a ocupar um ministério, embora a possibilidade não esteja entre seus planos atuais. Kassab já comandou duas pastas em governos anteriores e declarou que aceitaria um eventual convite.






