Entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 65 notificações de mortes possivelmente relacionadas ao uso de medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas para emagrecimento”.
Os registros fazem parte do sistema VigiMed, plataforma oficial destinada a reunir relatos de reações adversas a fármacos em uso no Brasil. Segundo informações levantadas pelo jornal O Globo, os casos são classificados como suspeitos, ou seja, não há comprovação de vínculo direto entre os óbitos e os medicamentos.
Em resposta ao veículo, a Anvisa ressaltou que a avaliação de risco e benefício desses produtos permanece a mesma, conforme as indicações já aprovadas. O levantamento inclui substâncias como semaglutida (Ozempic e Wegovy), tirzepatida (Mounjaro), liraglutida (Saxenda e Victoza) e dulaglutida (Trulicity).
No período analisado, foram registradas 2.436 notificações de reações adversas, variando em intensidade. Só em 2025, houve 1.128 ocorrências. Entre os efeitos mais comuns relatados estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação, mal-estar e casos de pancreatite, esta última com 145 registros no sistema. Considerando também dados de estudos clínicos, o número de episódios de inflamação no pâncreas chega a 225.
Dos 65 óbitos notificados, seis já haviam sido divulgados anteriormente e podem estar ligados a quadros de pancreatite. A agência explicou que não realiza investigação individual de cada caso, mas sim uma análise global dentro do processo de farmacovigilância, para identificar possíveis alterações no perfil de segurança dos medicamentos após sua entrada no mercado.
A Anvisa destacou ainda que a qualidade das informações enviadas influencia diretamente o monitoramento e que, além das notificações espontâneas, utiliza estudos clínicos controlados, pesquisas independentes e análises pós-comercialização para acompanhar a segurança dos fármacos.




