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Ex-gestor do BC é investigado por receber R$ 4 milhões e ocultar propina com uso de relatório

Além de Santana, outro ex-dirigente do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, também foi alvo de apuração

Foto: Reprodução/Instagram

Uma apuração interna conduzida pelo Banco Central identificou que Belline Santana, ex-responsável pela área de Supervisão Bancária, teria forjado dois contratos no valor total de R$ 4 milhões para receber vantagens indevidas. Os documentos foram firmados com a Varajo Consultoria, empresa de Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O relatório da comissão de sindicância patrimonial, concluído em 4 de março, aponta que um dos contratos previa o pagamento de R$ 2 milhões por um estudo de 50 páginas sobre educação financeira. O material, segundo os investigadores, consistia basicamente em resumos de artigos acadêmicos e entrevistas, sem contribuição autoral significativa de Santana.

Para os procuradores do BC, é “inverossímil” que um trabalho com esse perfil justificasse remuneração milionária. Eles destacaram que o conteúdo poderia ser produzido com baixo custo por estudantes ou até por ferramentas de inteligência artificial. A comissão também ressaltou que Santana não possuía formação ou experiência compatível com a área abordada, próxima da sociologia, e que o valor pago só faria sentido se fosse destinado a um especialista reconhecido.

O segundo contrato tinha como objetivo complementar o estudo e promover palestras dentro do projeto “Jovens Potentes”, voltado a aproximar jovens de comunidades periféricas do mercado financeiro. Em depoimento, Santana afirmou que sua função seria sensibilizar empresas para apoiar a iniciativa.

A defesa de Palhares declarou que o caso está sob análise do Judiciário e que tanto ele quanto sua empresa têm colaborado com as investigações. Já a assessoria de Vorcaro informou que não comentaria o assunto.

Além de Santana, outro ex-dirigente do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, também foi alvo de apuração. Ele teria simulado a venda de um sítio em Minas Gerais para encobrir recebimento de propina ligada ao Banco Master.

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