Dois militares do Exército procuraram o Ministério Público Militar e o Ministério Público Federal para denunciar situações de violência e abusos ocorridos dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Maceió (AL). As representações foram registradas nessa sexta-feira, 10. As informações são da Folha de S.Paulo.
Os relatos apontam para dois episódios distintos, em junho e setembro de 2025. No primeiro, um soldado afirma ter sido levado à força para uma câmara fria, onde foi despido e agredido por colegas. No segundo, outro militar denuncia que, enquanto dormia no alojamento, sofreu um ato de cunho sexual: um companheiro teria encostado o órgão genital em seu rosto, enquanto outro filmava a cena. O vídeo, segundo a denúncia, circulou entre integrantes da unidade.
Em nota, o comando do batalhão informou que instaurou sindicâncias em julho e setembro de 2025 para apurar os fatos. Como resultado, cinco militares receberam punições disciplinares, incluindo prisão em dezembro daquele ano, e foram desligados do serviço ativo. Em outro caso, dois soldados foram desincorporados. O Exército ressaltou que o processo respeitou o direito de defesa e reafirmou compromisso com a dignidade humana e os valores institucionais.
O MPF confirmou o recebimento das denúncias e disse que elas foram encaminhadas para análise interna. O Ministério Público Militar não se manifestou.
Um dos casos envolve o soldado Pablo Vince Pereira Silva, de 20 anos. Ele relatou que só soube do episódio após colegas comentarem no dia seguinte. Procurou a instituição, mas afirma que a situação foi tratada como “brincadeira”. Segundo ele, sofreu pressão para não contratar advogado e acabou afastado mesmo em tratamento psicológico, enquanto os demais militares permaneceram em suas funções.
A defesa dos soldados é conduzida pelos advogados Alberto Jorge Ferreira dos Santos, Alberto Anderson Romão dos Santos e Lílian Ferreira Leite. Eles pedem abertura de Inquérito Policial Militar para responsabilização dos envolvidos. Alberto Jorge Ferreira declarou que os clientes apresentam sérios problemas psicológicos após os episódios e foram afastados das atividades. “Um deles só consegue dormir com medicação e ainda passa boa parte da noite acordado. Ambos evitam até se aproximar do batalhão, tamanha a gravidade do trauma”, afirmou.




