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O novo xerife das eleições chega ao TSE prometendo equilíbrio em tempos de radicalização

Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques chega ao TSE tentando construir uma imagem de magistrado de centro, moderado e defensor da neutralidade institucional

Foto: Luiz Roberto/TSE

Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral carregando muito mais do que a responsabilidade de conduzir as eleições de 2026. Assume o comando da Justiça Eleitoral em um dos períodos mais tensos da democracia brasileira, cercado pela polarização política, pela explosão das fake news e pelo avanço da inteligência artificial nas campanhas.

Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques chega ao TSE tentando construir uma imagem de magistrado de centro, moderado e defensor da neutralidade institucional. No discurso de posse, falou em “equilíbrio”, “prudência” e deixou um recado claro: “não cabe à Justiça Eleitoral escolher vencedores”.

A frase não foi dita por acaso. Ela conversa diretamente com as críticas feitas por setores da direita ao protagonismo recente do Judiciário nas eleições e, ao mesmo tempo, tenta tranquilizar o campo político diante do desgaste institucional vivido pelo país nos últimos anos.

Nos bastidores de Brasília, a leitura é de que Nunes Marques tentará conduzir o TSE com menos exposição e menos tensão política do que em períodos recentes. Há quem veja nisso serenidade institucional. Outros enxergam cautela excessiva diante dos ataques ao sistema eleitoral.

O fato é que o novo presidente da Corte terá um desafio gigantesco: impedir que a inteligência artificial transforme as eleições em um território sem controle. O próprio ministro admitiu preocupação com o uso desordenado da tecnologia e com os riscos da manipulação digital sobre o voto popular.

Nunes Marques chega ao comando do TSE tentando ocupar um espaço raro no Brasil de hoje: o da moderação. Mas em tempos de extremos, até o centro virou campo de batalha.

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