2026 – Este ano que se anuncia é, mais uma vez, palco do grande teatro democrático brasileiro. As eleições para presidente, deputados federais e estaduais, governadores e senadores prometem movimentar o país, mas é nas redes sociais que o espetáculo mais triste e degradante se revela: “o sujo” falando do “mal lavado”.
Assistimos, estarrecidos, a um festival de conveniências políticas. Denúncias de corrupção que ontem eram guardadas a sete chaves entre “amigos” de outrora são hoje desenterradas e atiradas como verdadeiros trunfos de destruição contra opositores que, até pouco tempo, dividiam o mesmo prato do dinheiro público. Inimigos históricos selam alianças dignas de novela mexicana, jurando amor eterno até que as urnas os separem — ou até que o poder os divorcie.
Aqui no Ceará, o enredo não foge ao roteiro nacional. Para o governo do estado e ALECE, vale tudo: todo tipo de união, mentiras e, o mais emblemático, as promessas falaciosas de campanha. O objetivo único e escancarado: ocupar o Palácio da Abolição e a Assembleia legislativa para desfrutar de todas as suas mordomias. Isso inclui planos de saúde de ponta, escolas de elite para os filhos, segurança total (casa militar), cadeiras de deputado na Assembleia Legislativa, além de cargos distribuídos com a naturalidade imoral de quem trata o Estado como quintal particular.
O que mais causa espanto, porém, é ver o povo — justamente aquele que JAMAIS sentará à mesa dessas regalias — transformar as suas redes sociais em ringue de MMA político. Torcedores fanáticos do lado A ou do lado B entram em delírio a cada golpe desferido no adversário. Quanto mais sangue, mais aplausos. É o circo dos horrores armado, e nós, plateia pagante.
Não posso deixar de registrar, com tristeza, o papel de alguns integrantes da imprensa neste momento eleitoral. Dividida, refém de interesses pessoais e vendendo sua alma por tão pouco, essa parcela da imprensa deixa de cobrar, criticar e informar a verdade, além de abandonar a defesa dos direitos constitucionais da sociedade. Quando deveria ser a voz dos humildes e dos necessitados, torna-se, muitas vezes, caixa de ressonância de narrativas convenientes.
Diante desse quadro desolador, o que nos resta? Apostar nas crianças. Nas próximas gerações. Ensinar aos nossos filhos e netos a decência, a honestidade, os bons costumes e o lado bom da política. Não com discursos vazios, mas com o exemplo cotidiano de quem recusa a lógica da “viração” e da esperteza. Só assim, quem sabe, teremos um Brasil e um Ceará melhor para todos — e não como hoje, onde meia dúzia de políticos e suas famílias vivem como reis e rainhas, e seus filhos como verdadeiros príncipes, enquanto o povo sobrevive na miséria.
Os maus políticos conhecem bem a filosofia romana de dois mil anos: “pão e circo” (Panem et circenses). E, este ano, o circo está armado em dose dupla — a Copa do Mundo para distrair a nação e, por aqui em Quixadá CE, Bruno e Marrone no São João (Pula fogueira) atuam como vacina analgésica para anestesiar a consciência. Com absoluta certeza na sua cidade, a receita da ilusão será a mesma, com outro nome, outra atração, mas a mesma intenção.
Acorda, Brasil! Acorda, Ceará! Acorda, Quixadá!
O primeiro passo para desmontar o “pão e circo” é VOCÊ recusar ser plateia.




