A participação de Izolda Cela no último episódio do podcast As Cunhãs, que foi ao ar hoje, 24 de junho, trouxe novos elementos para um dos momentos mais marcantes da política cearense, que foi a sucessão estadual de 2022.
Sem adotar um tom de confronto, a ex-governadora relembrou bastidores que ajudam a compreender como um grupo político que governou o Ceará por quase duas décadas chegou ao seu maior racha.
Um dos trechos que mais chamaram atenção foi o relato de uma conversa em que Ciro Gomes teria afirmado que, se fosse necessário tirar um nome do bolso para disputar o Governo do Estado, “quem melhor do que Izolda?”, relembra ela. Naquele momento, a disputa interna do PDT caminhava para a escolha de Roberto Cláudio como candidato.
Izolda conta que a crise não teria nascido de uma decisão isolada ou traição de uma pessoa específica, mas do descumprimento de acordos em prol de um projeto político e da mudança de rumos adotada por lideranças partidárias naquele período, principalmente pelo fato de ela ser uma mulher.
É uma discussão que dialoga com outro episódio frequentemente lembrado na política cearense, que é a relação entre Luizianne Lins e o PT. Não por acaso, até hoje adversários e aliados divergem sobre quem rompeu com quem. Capitão Wagner, por exemplo, já declarou algumas vezes que Luizianne foi traída pelo partido. A própria trajetória da ex-prefeita, que deixou o PT após quase 40 anos de militância, alimenta essa interpretação.
Outro aspecto relevante da entrevista foi o estranhamento demonstrado por Izolda em relação às atuais alianças de Ciro Gomes. Sem atacar diretamente o ex-ministro, ela questionou a coerência de aproximações que, até poucos anos atrás, pareceriam improváveis. A crítica passa especialmente pela convivência política com setores que foram alvo de desaprovação de Ciro ao longo de sua trajetória.
Izolda também relembrou posicionamentos históricos sobre episódios como os motins de policiais militares no Ceará, tema em que Capitão Wagner teve protagonismo político e que gerou forte polarização no estado.
Até que ponto alianças eleitorais podem ignorar posições defendidas anteriormente?
Três anos depois, a política cearense continua debatendo quais valores e compromissos foram deixados pelo caminho em 2022. Ao trazer sua versão dos acontecimentos, Izolda levanta uma questão, que vou deixar você responder: o que mudou mais desde então, os grupos políticos ou os princípios que cada um dizia defender?




