A futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Quixeramobim já desperta interesse de empresas ligadas aos setores agroindustrial, de mineração e de telefonia. A informação foi dada pelo empresário Amarílio Macêdo, um dos responsáveis pelo planejamento do empreendimento, Em entrevista à jornalista Luana Franzão, da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. O projeto prevê investimento inicial de R$ 20 milhões e tem como objetivo transformar o município em um polo voltado à instalação de empresas exportadoras.
Macêdo afirmou que a combinação entre os incentivos previstos na reforma tributária e a infraestrutura logística em implantação na região cria um ambiente favorável para atrair investidores estrangeiros.
“O Brasil está aprovando a reforma tributária, que prevê para as ZPEs 20 anos de isenção de imposto, desde a compra de equipamentos até tudo o que a fábrica precisa para produzir e exportar. Isso interessa a chineses, americanos, canadenses. Interessa a todo mundo. Quem não quer ficar isento de imposto? Mas, para transformar isso em algo real, é preciso ter como trazer e escoar a produção, e é aí que entra a ZPE”, afirmou.
A escolha de Quixeramobim está diretamente ligada à infraestrutura logística em desenvolvimento no município. A cidade receberá um porto seco e será atendida pela Ferrovia Transnordestina, fatores considerados estratégicos para o escoamento da produção destinada ao mercado externo.
Questionado sobre a dependência da conclusão da ferrovia para o sucesso do empreendimento, Amarílio disse que o risco foi considerado no planejamento: “Esse risco é calculado. Mas o governo já confirmou a conclusão da ferrovia em 2028, estamos seguros”.
Em declaração anterior ao Diário do Nordeste, o empresário afirmou que a ZPE “vai ser fundamental para atrair investidores para o Sertão Central, não é só para Quixeramobim”. Segundo ele, o projeto deverá ser encaminhado ainda neste segundo semestre ao Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), com expectativa de aprovação até o fim de 2026.
Macêdo também afirmou que, após a implantação da ZPE, a expectativa é atrair empresas estrangeiras para diferentes segmentos econômicos. Na entrevista à Folha, relevou: “Posso dizer que temos interessados no setor agroindustrial, de mineração e de telefonia também”.
Sobre a estratégia para garantir que o projeto saia do papel, o empresário destacou a experiência da equipe responsável pela estruturação.
“É seguir o passo de quem já testou. Temos uma parceria com quem foi fundamental na construção da ZPE do Pecém. Com 36 anos de experiência, aprendi a não escolher qualquer um”, ressaltou.
Ao defender o potencial da iniciativa, Amarílio também avaliou que o Ceará reúne condições para ampliar sua participação no comércio internacional, impulsionado pelo Complexo do Pecém e pela nova infraestrutura logística do interior.
“Há quem diga que o porto do Pecém, em 30 anos, vai deixar o porto de Santos para trás por uma questão física simples: Santos não tem mais para onde crescer, enquanto Pecém tem dezenas de quilômetros de mar para se expandir.”
Segundo o empresário, investir no Brasil continua sendo uma oportunidade para quem busca novos mercados.
“Nós temos mania de reclamar. Ainda vale muito a pena investir no Brasil. E te digo que o chinês também acha.”
Além de Quixeramobim, os municípios de Iguatu, Quixadá e Tauá também possuem projetos de implantação de Zonas de Processamento de Exportação. De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Quixeramobim e Iguatu concentram, atualmente, os processos mais avançados de implementação dessas áreas no Estado.





