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Flávio Bolsonaro evita detalhar contrato de ‘Dark Horse’ e diz que Lula é quem deve explicações

Candidato à Presidência também defendeu exploração econômica em terras indígenas e voltou a criticar o governo durante encontro na Fiesp

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, voltou a ser questionado nesta segunda-feira, 24, sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, mas afirmou que a prestação de contas da produção já foi apresentada. Ao responder sobre o assunto, disse que as cobranças deveriam ser direcionadas ao presidente Lula (PT). As informações são da Folha de S.Paulo.

A declaração ocorreu após uma reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na avenida Paulista, em São Paulo. Flávio foi perguntado pela Folha se ainda pretendia divulgar o contrato firmado entre a produção do filme e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador solicitou R$ 61 milhões ao empresário para financiar o projeto.

“Olha só, vocês vão parar no tempo? O Brasil está lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado, vocês querem insistir com relação de fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada?”, questionou. “Vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje o governo Lula que deve explicações, vão cobrar explicações dele.”

Em maio, Flávio havia afirmado que pediu à produtora Go Up uma prestação de contas transparente e se declarou “100% disposto” a divulgar o contrato relacionado ao aporte feito por Vorcaro.

A produtora informou gastos de aproximadamente R$ 75 milhões com “Dark Horse”. Um laudo particular incluído em um inquérito policial que apura possível utilização de recursos públicos na produção, porém, não apresentou a identificação dos financiadores nem notas fiscais dos fornecedores.

Os pagamentos realizados pelo banqueiro são investigados pela Polícia Federal. Na sexta-feira, 21, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o acesso da PF a provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo envolvendo a Go Up. O material também deverá subsidiar uma investigação sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora, procedimento que está sob relatoria de Dino.

Terras indígenas

Durante a agenda na Fiesp, Flávio Bolsonaro também defendeu permitir atividades econômicas em áreas indígenas. Segundo ele, essas comunidades deveriam ter maior poder de decisão sobre a utilização dos territórios.

“Por que não podemos fazer com que os indígenas decidam o que vai acontecer sobre sua terra? Ou não pode a comunidade indígena viver de ‘royalties’ de alguma atividade pecuária ou de mineradora dentro de sua propriedade? Por que não pode explorar o subsolo que existe sob essas reservas de forma responsável?”, questionou.

O candidato afirmou que pretende “destravar o Brasil” e defendeu “licenciamentos ambientais dentro da lei, mas sem critério ideológico”.

Flávio também intensificou as críticas ao governo federal. Disse que Lula “faz mais mal para o Brasil do que a pandemia”, mencionou o endividamento da população e afirmou existir uma “crise moral generalizada” no país, além de dizer que a “Constituição parou de ser respeitada”.

Na área da educação, criticou os diretórios acadêmicos das universidades federais, que, segundo ele, “parece a cracolândia”, e mencionou a existência de estudantes profissionais “barbados”, de 40 anos.

Ao tratar da disputa presidencial, afirmou ainda que a eleição definirá se o Brasil vai vencer ou “se o PT vai acabar com a nossa nação”.

Relação com Tarcísio

Antes da reunião, Flávio teve uma conversa reservada com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Durante o encontro com empresários, Skaf afirmou enxergar no senador disposição para “promover uma grande revolução no Brasil” e avaliou que o candidato “está a cada dia mais competitivo”. Aos jornalistas, disse ainda que Flávio demonstra afinidade com pautas liberais.

O senador também comentou sua relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Questionado sobre a existência de um acordo para que, em caso de vitória, cumpra apenas um mandato presidencial e abra caminho para uma candidatura de Tarcísio em 2030, Flávio disse não precisar desse tipo de acerto para ter o governador ao seu lado.

“Tenho pacto com ele, sim, de resgatar nosso Brasil”, disse Flávio nesta segunda. “A questão de ter protocolado PEC pelo fim da reeleição foi iniciativa minha, porque acredito que o melhor modelo é um único mandato de presidente.”

Na quinta-feira, 20, durante um evento ao lado de Tarcísio, Flávio já havia afirmado que poderia exercer o papel de um “presidente de transição”.

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