A jovem Rute Morais, que vive na aldeia indígena Taba dos Anacé em Caucaia no Ceará, é a primeira indígena brasileira a ser aprovada na Universidade de Salamanca (USAL) para o mestrado de Antropologia Social e Estudos Latino-americanos. A jovem de 22 anos, que saiu de casa aos 17 para cursar Ciências Sociais na Universidade Federal do Recôncavo na Bahia, afirma que sempre sonhou em ir para uma universidade e usar o conhecimento adquirido para, de alguma maneira, beneficiar a comunidade da aldeia: “A educação significa a transformação não só pessoal, dando a oportunidade de ser quem eu quiser, sem deixar de ser quem eu sou”, declarou.
A própria passagem pela USAL foi um grande desafio para Rute. Ela afirma que “a universidade é estruturada para não receber indígena nas políticas de permanência” e que também chegou a passar por situações em que alguns professores chegaram a desmotivá-la, mesmo que indiretamente, por ser algo “muito diferente de seu mundo”.
Mesmo enfrentando diversos fatores contrários a realização do seu sonho, Rute concluiu a graduação e durante esse período, se dedicou à pesquisas sobre as violações que aconteciam com os Anacés e em seus territórios, buscando sempre o equilíbrio entre o mundo científico e a base cultural de seu povo.
Após receber a notícia de que foi aceita no mestrado na Universidade de Salamanca, a jovem decidiu abrir uma vaquinha online para conseguir ajuda com as despesas da viagem.
Repórter Ceará – Rádio Cidade (Foto: Arquivo pessoal)






