Nessa segunda-feira, 13, faleceu o médico ginecologista, obstetra e homeopata Carlos Antunes no município de Guaramiranga após sofrer um ataque cardíaco. O mesmo estava na residência do médico anestesiologista e acupunturista Tadeo Feijão, que divulgou nota, através de sua conta no Facebook, denunciando a falta de estrutura para atendimento de urgência no hospital do município.
Tadeo relatou, após a morte do amigo, as dificuldades que enfrentou para conseguir atendimento no hospital. Vale ressaltar que, antes de ir a unidade de saúde, Feijão, juntamente com outro médico que estava em sua casa, David Lucena, tentaram reanimar Carlos Antunes, sem sucesso.
Conforme o relato do acupunturista, não haviam equipamentos adequados na unidade, ressaltando também a falta de preparação profissional do único médico plantonista, visto que o mesmo “não soube preencher o atestado de óbito”.
Confira na íntegra o texto de Tadeo Feijão:
“Amigos,
Nesta segunda-feira vivi uma situação extrema em Guaramiranga. Enquanto me visitava em minha casa, um amigo, médico, Carlos Antunes, sofreu um IAM. Com auxilio de outro médico, David Lucena, tentamos reanimá-lo com massagem cardíaca e respiração boca a boca por aproximadamente 20-25 minutos, sem sucesso. Resolvemos levá-lo para o Hospital de Guaramiranga (11km de distância). Pedi a amigos para dirigir meu carro e fui massageando e fazendo a respiração. Levamos 14 min para chegar em Guaramiranga. Levamos aproximadamente 10 min para chegar ao hospital, que não tem a menor estrutura. Vou relatar alguns pontos para nós, como sociedade organizada possamos tomar conhecimento e nos mobilizados:
Guaramiranga estava tendo um festival que recebe entre 7 a 10 mil pessoas nos 4 dias;
1- Não tem uma rota emergencial de acesso ao hospital durante esse período;
2- Não dispõe nem mesmo de uma moto da autoridade do trânsito com sirene para oficialmente abrir espaço;
3- No hospital um único médico sem nenhum treinamento em emergência;
4- Pessoal de apoio idem;
5- Oxigênio trancado a chave sem disponibilidade imediata na sala de emergência;
6- Nenhum aparelho de monitorização. Nem mesmo oximetro portatil:
7- Sem nenhum cardioversor ou ECG;
8- Não há maleta de medicamentos de emergência;
9- Sem tubos endontraqueais de pequeno calibre;
10- Laringoscopio com uma única lâmina;
Quanto ao pessoal:
Ninguém treinado para uma emergência.
– Adrenalina levou em torno de 10 minutos para ser disponibilizada e, infelizmente sem seringa, que levou outros 4-5 minutos;
– Conexão de oxigênio demorou a ser localizada e a auxiliar se mostrou incapaz de fazer a instalação correta. Eu tive que fazer;
– Injeção intracardíaca só eu sabia fazer;
E para completar, o plantonista não soube preencher o atestado de óbito.
Precisamos pedir às autoridades que não permitam que uma cidade que recebe tanta gente em um evento continuar assim.
Dr. Tadeo Feijão.”
Repórter Ceará





Saúde em Guaramiranga:
Não é de hoje que externamos críticas severas à atual gestão (ou à falta dela) na Prefeitura Municipal de Guaramiranga, a qual batizamos de Administração “Pão e Circo”, também conhecida como “Sem Futuro Agora”.
Ora, espaço e oportunidade para gandaia, como o famigerado “Carnaval da Saudade”, a poucos metros do falido hospital municipal, ainda que perturbando a ordem pública e o repouso dos nativos e pacientes, têm, sem nenhum problema. As autoridades parecem fazer ouvidos de mercador, porque ninguém toma providência e a covardia do povo viciado no picadeiro do circo guaramiranguense revela-se, aliada à omissão de alguns vereadores que não têm coragem sequer de levantar a voz contra os descasos da atual gestão. A comodidade de alguns vereadores não permite que se denuncie ou se combata o descrédito perante as autoridades. Não se tomam atitudes. O Ministério Público Estadual, mesmo alertado por nós, como de costume, nada faz a respeito. Aliás, salvo procedimentos policiais para condenar pobres e inexpressivos traficantes locais, não há um procedimento eficaz ou resolutivo do promotor de justiça da Comarca de Guaramiranga contra o caótico e nefasto cenário político da atual gestão: não se faz nada contra o acúmulo indevido de cargos, não se coíbe o nepotismo, não se recomenda nada contra a desídia, as contratações irregulares e as omissões quanto aos problemas de saúde, educação e ambiente, enfim, estamos falando de uma administração à vontade, diante de fiscalização inexistente.
A atual administração é patética e ridícula em todos os sentidos, não avançou um décimo percentual nos indicadores, o modelo gerencial é pífio e sem planejamento, não há gestão, há apenas uma entidade figurativa ocupando a cadeira da chefia do Executivo. O guaramiranguense não tem nem o direito de morrer em feriados e finais de semana, sob pena de não poder ter um enterro digno no maltratado e abandonado cemitério público, porque não há coveiros nessas ocasiões.
Para que o cidadão tenha acesso a medicamentos, precisa acionar o Poder Judiciário, quando puder contratar um advogado. Acredito que se o cidadão guaramiranguense procurar um melhoral infantil no hospital hoje, certamente não o encontrará, segundo comentam. A Secretaria Municipal de Saúde de Guaramiranga-CE é de extrema incompetência gerencial, para não fugir à regra e ao exemplo da gestão como um todo, uma bodega talvez seja mais organizada e mais transparente. Imperam na referida secretaria o despreparo, a inabilidade, o descaso e a falta de planejamento, agora muito mais do que antes, porque antes nos iludíamos, na verdade a atual realidade revela-se muito pior do que sempre foi, um pouco pior se compararmos a tantas outras e a de um passado recente.
Agora, necessário que um médico conhecido no Estado do Ceará tenha vindo a óbito para que mais uma vez pudéssemos revelar todo o descaso da incompetência e atos omissivos da Saúde em Guaramiranga! Pobres munícipes! Pobres iludidos e `babões` da atual “gestão”. Como dizem: “o povo tem o governo que merece”!
Boa denúncia. É preciso que a sociedade se levante contra esse estado de coisas que atinge a todos. Pergunta: O plantonista estava na escala correta ou cobrindo o plantão de outro ? Caso para o CRM investigar e levar à frente. Agora que envolve interesses entre médicos.