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Médicos acusam cearense Hapvida de pressionar os profissionais a receitarem o ‘kit Covid’

Médicos que trabalharam na Hapvida acusam a operadora de planos de saúde de pressionar os profissionais a receitarem o “kit Covid”, medicamentos ineficazes contra a doença.

Num áudio enviado a médicos do Hospital Medical, em Limeira, interior de São Paulo, o coordenador da unidade cobrava prescrição do “kit Covid”.

“Utilizar aí o tratamento precoce conforme preconizado aí pelo Departamento e Coordenação Nacional de Urgência e Emergência e adesão ao protocolo de Covid.”

A unidade pertence à Hapvida, uma das maiores operadoras de saúde do país. A CPI da Covid passou a investigar a rede pela suspeita de pressionar médicos a prescreverem remédios ineficazes contra a Covid.

Na semana passada, o jornal O Globo publicou uma reportagem com áudios, mensagens de textos e relatos indicando uma intimidação da coordenação da Hapvida para que os médicos prescrevessem o “kit Covid”

Nesta segunda-feira 4, em entrevista ao Jornal Nacional, uma médica que não quis se identificar disse que foi demitida porque se recusou a receitar cloroquina para os pacientes.

“Todos os dias era: ‘Bom dia, lembrando do protocolo Covid’. ‘Boa tarde, lembrando da aderência ao protocolo Covid’. Uma vez, vai chamar atenção, na segunda você vai tomar uma advertência, e na terceira você está fora”, contou a médica.

O médico Felipe Nobre, que trabalhou em unidade da Hapvida em fortaleza, disse que foi demitido em maio do ano passado por se recusar a prescrever o “kit Covid”.

“Pelo menos eu recebi quatro visitas em consultórios durante os plantões em que foi orientado que deveria seguir o protocolo da instituição, pois fazia parte do tratamento preconizado pelo plano Hapvida a prescrição de cloroquina”, diz o médico Felipe Nobre.

O que diz a Hapvida?

Em nota, a Hapvida declarou que, no passado, havia um entendimento de que a hidroxicloroquina poderia trazer beneficios aos pacientes de Covid e que, mesmo assim, a substância nunca representou a maioria das prescrições na rede. A Hapvida afirmou que há meses não sugere e não tem observado o uso desse medicamento em suas unidades, por não haver comprovação cientifica de sua efetividade contra a doença.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar afirmou que realizou diligências na operadora e que solicitou esclarecimentos sobre as denúncias de cerceamento de exercício da atividade médica e sobre a assinatura do termo de consentimento para prescrição do “kit Covid”.

Repórter Ceará – G1

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