O Governo do Ceará segue com o cadastro de vacinação contra Covid-19 para crianças entre 5 e 11 anos, após a área técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, no último dia 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer na população desta faixa etária. O procedimento pode ser feito pela plataforma Saúde Digital.
Para Olívia Bessa, médica pediatra e diretora de Pós-Graduação da Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), o atraso ou a recusa da vacinação compromete a saúde infantil. “A vacinação é considerada uma das mais importantes intervenções em saúde pública nas últimas décadas, alcançando grandes marcos na erradicação e no controle de doenças com potencial epidêmico e de gravidade. As vacinas, juntamente com outras ações, foram responsáveis pela eliminação da varíola, pela interrupção da transmissão da poliomielite e da rubéola e pelo controle do sarampo. A incidência das pneumonias e meningites também diminuiu muito com a inclusão de vacinas como Pneumocócica e Meningocócica, só para dar alguns exemplos”, afirma.
Bessa destaca, ainda, que as baixas coberturas vacinais colocam em risco a saúde individual da criança, além de um risco coletivo potencial, com retorno de doenças que já haviam sido controladas. Sem vacinar a população em geral, o cenário fica bem mais propício a novos surtos e epidemias. Por isso, para evitar a volta de enfermidades, é importante que pais e cuidadores coloquem a carteirinha de vacinação dos pequenos em dia.
Eficácia acima de 90%
Em outubro, a Pfizer informou que a vacina é segura e mais de 90,7% eficaz na prevenção de infecções em crianças de 5 a 11 anos. A dose para este público é 1/3 da formulação já aprovada no Brasil e também diferente daquela permitida anteriormente para o público com mais de 12 anos – portanto, não pode ser utilizada a formulação de adultos diluída.
A criança que completar 12 anos entre a primeira e a segunda doses deve manter a dose pediátrica. Não há estudos sobre a coadministração com outras vacinas. Segundo a Anvisa, até que saiam mais estudos, é indicado um intervalo de 15 dias entre a vacina da Covid-19 e outros imunizantes do calendário infantil.
A especialista reforça que a autorização da Agência veio após uma análise técnica criteriosa de dados e estudos clínicos conduzidos pelo laboratório. “Segundo a equipe técnica da Anvisa, as informações avaliadas indicam que a vacina é segura e eficaz para o público infantil. Para essa avaliação, a Agência contou com a consulta e o acompanhamento de um grupo de especialistas em Pediatria e Imunologia que teve acesso aos dados dos estudos e resultados apresentados pelo laboratório. Esse olhar de especialistas externos foi essencial para que o uso da vacina por crianças fosse aprovado dentro dos mais rigorosos critérios, considerando, para isso, o conhecimento de profissionais médicos que atuam no dia a dia com crianças e imunização”, pontua a médica.
A mesma autorização de uso já foi concedida pelo FDA e pela EMA (agências regulatórias de saúde dos Estados Unidos e União Europeia, respectivamente), além de países como Costa Rica, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.
Informação correta é fundamental
Olívia Bessa lembra que é importante implementar medidas efetivas de comunicação que disseminem conteúdos cientificamente comprovados para uma melhor percepção e adesão para a vacinação.
“A crise de confiança e os mitos em torno dos riscos das vacinas têm circulado pelas redes sociais. E isso é preocupante, sobretudo, quando se trata de uma doença potencialmente grave e letal. Crianças precisam mesmo ser vacinadas? A resposta é sim, por vários motivos. Embora apresentem, na sua maioria, formas clínicas leves ou assintomáticas, crianças e adolescentes não estão isentos da ocorrência de formas graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), temporalmente associada à Covid-19, que podem ser importantes causas de morbimortalidade nesta população”, alerta.
Repórter Ceará (Foto: Helene Santos/Ascom Casa Civil)
