O senador Cid Gomes (PDT) se manifestou acerca das declarações de seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), de que ele o havia traído. O racha entre os irmãos Ferreira Gomes começou com a eleição de 2022 e segue até hoje, tendo se acirrado por conta da disputa pela presidência do PDT no Ceará.
Para Cid, não existiu traição, como tem dito Ciro, que declara ter levado uma “facada nas costas”.
“Não foi traição. Traição é algo que você faz e não avisa. Eu avisei que não me manifestaria sobre a eleição estadual. Agora Ciro fica aí falando de facada”, disse o senador em entrevista à Folha de S.Paulo.
Cid e Ciro romperam relações em 2022, quando o PDT decidiu escolher o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), como candidato ao Governo do Ceará, preterindo a então governadora Izolda Cela (sem partido). O primeiro contou com o apoio de Ciro, enquanto Cid possuía preferência por Cela, sendo um nome mais alinhado ao PT. Com a decisão da legenda, PDT e PT romperam uma aliança de quase duas décadas.
“Como não concordava em romper a aliança, me recolhi para não brigar com Ciro e me resguardei. Eu avisei que não iria manifestar na eleição estadual”, declarou o senador.
Passado o momento da escolha do candidato, Cid não participou do palanque de Ciro, nem o prefeito de Sobral e irmão dos dois, Ivo Gomes (PDT).
“Não fomos [aos eventos] porque ele estava com Roberto Cláudio. Eu e Ivo propusemos para que Ciro fizesse uma agenda sem Roberto Cláudio, mas ele não quis”.
Para Cid, o afastamento do irmão, a decisão do partido por Roberto Cláudio e o rompimento com o PT no Ceará fizeram com que ele passasse pelos “piores meses” de sua vida.
Em relação à disputa pelo comando do PDT no Estado, Ciro e Cid também estão em posições opostas. Enquanto o ex-ministro defende a reeleição do deputado federal André Figueiredo (PDT) para o cargo, Cid se coloca como uma opção para a presidência estadual da sigla, defendendo restabelecimento da aliança entre PT e PDT.
“Temos o apoio da maioria dos deputados e dos prefeitos. O André começou a tomar uma posição de oposição contra a vontade da maioria. Não estou pleiteando [a presidência do partido no estado] por capricho ou desejo”, ressaltou.
O parlamentar também respondeu que foi sondado para sair do PDT e integrar o Podemos, tendo conversado com a presidente nacional da legenda, Renata Abreu. No entanto, rejeitou o convite.
“Nunca falei que sairia do PDT. O que eu fiz foi dar justamente um argumento de que não sairia. Tanto não quero sair que me disponho a ser presidente [do partido no Ceará]”.
Repórter Ceará (Foto: Jarbas Oliveira/O GLOBO)




