Home 1 Minuto com Sérgio Machado Carnaval ou eleição? O momento delicado vivido por Choró

Carnaval ou eleição? O momento delicado vivido por Choró

O Carnaval, por si só, é uma manifestação cultural legítima, importante para a economia local, para os artistas e para a identidade popular. No entanto, quando ocorre simultaneamente a uma eleição decisiva, torna-se essencial que não haja qualquer confusão entre gestão pública, promoção de eventos e interesses eleitorais

Foto: Reprodução

Com a eleição suplementar marcada para o dia 1º de março, o município de Choró entra em um dos períodos mais sensíveis de sua história política recente. Pouco tempo após a confirmação do novo pleito, a Prefeitura anunciou oficialmente a realização do Choró Folia 2026, tradicional evento carnavalesco da cidade.

A coincidência de datas levanta questionamentos naturais e legítimos: o Choró Folia está sendo pensado exclusivamente como celebração cultural do Carnaval ou ocorre em meio a um contexto eleitoral que exige cautela, responsabilidade e transparência?

Choró ainda carrega os reflexos do escândalo eleitoral que marcou o último pleito, envolvendo o então gestor Bebeto, hoje afastado da vida administrativa do município e considerado foragido pelas autoridades, situação que resultou na anulação da eleição e na convocação de uma nova votação. O município vive, portanto, um momento de reconstrução institucional, de retomada da confiança pública e de atenção redobrada por parte da Justiça Eleitoral e da sociedade.

É nesse cenário que surge o debate: é oportuno realizar grandes eventos festivos em meio a um processo eleitoral suplementar?

Historicamente, expressões como “pão e circo” atravessam o imaginário político brasileiro justamente por associarem festas, espetáculos e entretenimento a períodos de instabilidade ou disputa de poder.

O Carnaval, por si só, é uma manifestação cultural legítima, importante para a economia local, para os artistas e para a identidade popular. No entanto, quando ocorre simultaneamente a uma eleição decisiva, torna-se essencial que não haja qualquer confusão entre gestão pública, promoção de eventos e interesses eleitorais.

A população de Choró espera, acima de tudo, respeito ao momento vivido, responsabilidade no uso dos recursos públicos e total separação entre atos administrativos e o processo democrático em curso. A prioridade, neste instante, deve ser o fortalecimento das instituições, o esclarecimento dos fatos passados e a garantia de uma eleição limpa, tranquila e transparente.

Mais do que nunca, Choró precisa de serenidade, debate público qualificado e vigilância cidadã. A festa pode acontecer, mas a democracia não pode ser colocada em segundo plano.

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