Em tempos de pressa e silêncios prolongados, falar de sentimento virou quase um ato de coragem. O poeta Kleber Mineiro transforma emoções cotidianas em palavras simples e profundas, capazes de cutucar o coração de quem lê. No texto a seguir, ele fala sobre saudade, orgulho e a urgência de dizer o que se sente, antes que o tempo transforme tudo em distância:
A saudade chega
sem pedir licença.
Senta no peito.
Encosta na alma.
E pergunta em silêncio:
— Vai fingir que não sente?
Eu sinto.
Você sente.
Mas o orgulho responde antes.
E o carinho…
vai para a gaveta.
Dobrado.
Guardado.
Escondido.
Como se amor suportasse poeira.
Como se afeto fosse eterno.
Como se amanhã fosse promessa.
Mas não é.
A vida é vento.
É sopro.
É instante.
Carinho quer voo.
Quer palavra.
Quer toque.
Quer verdade.
Um “oi” pode salvar dias.
Um “sinto sua falta” pode curar anos.
Não é fraqueza sentir.
É coragem.
Coragem de abrir gavetas.
Coragem de libertar sentimentos.
Coragem de amar sem armadura.
Quem ama calado, adoece.
Quem ama dizendo, floresce.
Então,
se alguém mora no seu coração,
não tranque.
Não adie.
Não silencie.
Abra.
Envie.
Declare.
Antes que o tempo feche tudo.
akam.




