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Câmara aprova projetos que criam universidades federais Indígena e do Esporte

As propostas seguem para o Senado

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira, 10, dois projetos de lei do Poder Executivo que criam novas universidades federais em Brasília: a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) e a Universidade Federal Indígena (Unind). As propostas (PL 6133/25 e PL 6132/25, respectivamente) seguem agora para análise do Senado.

UFEsporte

A UFEsporte será voltada à ciência do esporte e poderá, futuramente, abrir campi em outras unidades da Federação. O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, respeitando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

A instituição poderá adotar formas alternativas de ingresso e estratégias de atendimento e fomento, observadas as normas de inclusão e de cotas.

O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), que retirou do projeto original expressões como “misoginia”, “racismo” e “gênero” no trecho que tratava do enfrentamento dessas questões no esporte.

Entre as finalidades da UFEsporte estão:

  • formar profissionais para a gestão de políticas públicas de esporte;
  • capacitar gestores de entidades esportivas e profissionais para o treinamento de atletas;
  • incentivar a produção de conhecimento científico e tecnológico aplicado ao esporte;
  • promover a equidade no esporte e fomentar modalidades femininas;
  • garantir acessibilidade e inclusão no paradesporto; e
  • combater a violência e qualquer forma de discriminação no esporte.

A universidade contará com bens móveis e imóveis da União, além de receitas provenientes de serviços prestados, convênios e acordos com entidades nacionais e internacionais. Parte dos recursos de apostas em “bets” também poderá ser destinada à instituição pelo Ministério do Esporte.

Unind

Já a Universidade Federal Indígena (Unind) poderá ser constituída de forma multicêntrica, com campi em diferentes regiões do país, para atender às especificidades dos povos indígenas.

A relatora do projeto, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), destacou que a iniciativa representa um marco histórico e uma “reparação epistemológica”, ao reconhecer e valorizar conhecimentos tradicionais indígenas no ensino superior.

Assim como a UFEsporte, a Unind terá sua estrutura definida por estatuto, respeitando a integração entre ensino, pesquisa e extensão.

Entre seus objetivos estão:

  • ministrar ensino superior e desenvolver pesquisa em diálogo com saberes tradicionais;
  • produzir conhecimentos voltados à gestão territorial e ambiental e à garantia de direitos indígenas;
  • incentivar inovações tecnológicas adequadas aos territórios indígenas;
  • promover a sustentabilidade socioambiental e o bem-viver; e
  • preservar e difundir línguas, culturas e histórias dos povos indígenas.

A Unind também poderá receber bens da União e terá receitas provenientes de serviços, convênios e acordos.

Reitoria e funcionamento

Nos dois casos, o Ministério da Educação nomeará reitor e vice-reitor temporários até a aprovação dos estatutos. Em até 180 dias após essas nomeações, as universidades deverão enviar suas propostas de estatuto e regimento geral ao MEC.

Na Unind, os cargos de reitor e vice-reitor deverão ser ocupados obrigatoriamente por docentes indígenas.

Concursos e seleção

Ambas as universidades poderão realizar concursos públicos para professores e técnicos-administrativos, após autorização na lei orçamentária.

No caso da Unind, haverá critérios específicos para garantir percentual mínimo de candidatos indígenas, conforme a Lei de Cotas (Lei 15.142/25). A instituição também poderá adotar processos seletivos próprios, com consulta às comunidades indígenas e respeito à diversidade cultural e linguística.

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