A revista britânica The Economist publicou reportagem apontando que o Supremo Tribunal Federal (STF) estaria envolvido em um “enorme escândalo”, destacando suspeitas que vêm sendo levantadas nos últimos meses em torno de ministros da corte e do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A informação é da Folha de S.Paulo.
Segundo a publicação, alguns dos magistrados mais influentes mantêm vínculos considerados excessivamente próximos com setores da elite política e empresarial. Entre os nomes citados estão Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mencionados em investigações que suscitaram questionamentos sobre a conduta de integrantes do tribunal.
O texto ressalta que o tema ganha relevância diante da possibilidade de a direita ampliar sua representação no Senado nas próximas eleições, já que parte desses parlamentares defende a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
No caso de Toffoli, a revista lembra que ele foi relator de um processo relacionado ao Banco Master e se afastou após pressão. Há menção a investimentos de Vorcaro em um empreendimento da família do ministro, além de apontamentos feitos pela Polícia Federal em relatório enviado ao Supremo. O magistrado nega qualquer irregularidade.
Em relação a Moraes, o artigo cita informações sobre um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com previsão de pagamentos milionários. Após a divulgação desses dados, Moraes determinou apurações sobre suposto vazamento de informações fiscais de ministros e familiares.
A revista também amplia o foco para além do Banco Master, mencionando práticas recorrentes de aproximação entre o setor privado e o tribunal. O ministro Gilmar Mendes é citado por organizar encontros anuais em Lisboa com políticos, empresários e magistrados — alguns deles com processos em tramitação no STF.
Outro ponto levantado é o nepotismo, com registros de parentes de ministros atuando como advogados em cortes superiores. A revista lembra ainda que o presidente do STF, Edson Fachin, tentou implementar um código de ética para os magistrados, mas enfrentou resistência de Toffoli e Moraes.
Por fim, a publicação observa que, independentemente da posição dos ministros, há setores do Congresso atentos às denúncias e dispostos a utilizá-las politicamente.




