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Ex-policial rodoviário é acusado de liderar esquema de propinas para liberação de caminhões no Ceará

Só em uma transação, em outubro de 2023, foram identificados R$ 80 mil recebidos pela esposa do acusado

Foto: Divulgação/PRF

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-policial rodoviário federal (PRF) José Eretides Martins como líder de um esquema de propinas voltado à liberação irregular de caminhões. De acordo com os autos, parte dos valores era movimentada por meio das contas da esposa, Maria Mary Barbosa, e até da filha menor de idade. Só em uma transação, em outubro de 2023, foram identificados R$ 80 mil recebidos pela esposa do acusado. As informações são do Diário do Nordeste.

As investigações começaram após um episódio em julho de 2023, quando Eretides, mesmo fora de serviço, acessou o sistema da PRF em Caucaia utilizando o login de outro agente e inseriu informações falsas. O caso resultou na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar, concluído em 2024, que levou à cassação da aposentadoria do servidor. Em setembro de 2025, o MPF formalizou a denúncia, aceita pela Justiça Federal, que tramita na 11ª Vara do Ceará.

Como funcionava o esquema

Segundo a acusação, veículos com tacógrafos irregulares eram liberados mediante pagamento de vantagens indevidas. Em alguns casos, os caminhões voltavam a ser fiscalizados ainda em situação irregular, mas recebiam atestados de conformidade assinados pelo ex-policial.

Relatórios apontam que os depósitos coincidiam com dias de liberações suspeitas. Um exemplo citado é o de Francisco Vinícius Souza de Castro, que teria transferido R$ 300 ao agente no mesmo dia em que seu veículo foi liberado. Ele responde por corrupção ativa. Outro envolvido é Cristian Alex Freitas, conhecido como “Leleco do Acaraú”, que intermediava contatos entre motoristas e o policial e também realizou depósitos na conta da esposa de Eretides.

Envolvimento da família

Maria Mary Barbosa, esposa do ex-policial, é acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia afirma que ela ajudava a misturar recursos lícitos e ilícitos para dificultar o rastreamento. Mais de 600 depósitos foram identificados na conta da filha de 12 anos, usados para mascarar a origem dos valores.

Crimes apontados

  • Inserção de dados falsos em sistema público
  • Corrupção passiva
  • Lavagem de dinheiro

“A própria PRF oficiou o Ministério Público Federal para adoção das providências cabíveis na esfera penal, sem prejuízo às medidas administrativas que levaram à expulsão do servidor do quadro funcional da instituição. Não foram identificados elementos que indicassem a participação de outros servidores da instituição. A PRF reitera que atua com rigor técnico e responsabilidade na apuração de irregularidades, assegurando que condutas incompatíveis com o cargo público resultem na devida responsabilização administrativa e penal”, informou a instituição.

Defesa

A defesa do casal nega a existência de provas concretas de recebimento de propina e afirma que parte dos valores apontados pelo MPF não tem relação com corrupção — citando, por exemplo, R$ 100 destinados à compra de uma rifa escolar. Já os representantes de outros acusados alegam que os depósitos não comprovam vantagem indevida.

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