O escritor Kleber Mineiro reflete sobre o significado profundo do ato de escrever. Com sensibilidade e linguagem carregada de emoção, o autor apresenta a escrita como um espaço de liberdade, silêncio e encontro consigo mesmo. Ao longo dos versos, a palavra deixa de ser apenas instrumento de comunicação e passa a ser retratada como uma ponte entre pensamento, sentimento e existência.
Escrever é falar sem pedir licença.
É conversar com o mundo sem ser interrompido,
é deixar que o silêncio traduza o que as palavras
ainda estão aprendendo a dizer.
Quando escrevo, o tempo se ajoelha.
As vozes lá fora se calam,
e o pensamento corre descalço
pelas vielas da alma.
Há um instante em que o raciocínio cede,
e o coração, impetuoso, assume o comando da caneta.
Ele escreve sem consultar a razão,
traçando no papel os caminhos que a lógica não conhece.
As letras se transformam em pulsações,
os pontos em suspiros,
as vírgulas em pausas de ternura.
É quando a emoção se veste de tinta
e o amor ganha caligrafia.
Nessas horas, não há interrupção possível.
Nem ruído, nem pressa.
O escritor é só um mensageiro,
um tradutor da própria alma
no idioma dos sentimentos.
Escrever é uma forma de existir em silêncio,
de viver intensamente por dentro,
de guardar o mundo em frases e libertar-se delas logo depois.
E quando a última palavra se deita sobre o papel,
não há fim — há repouso.
Porque quem escreve não termina:
apenas respira o alívio
de ter sido escutado pelo próprio coração.
akam.
Kleber Mineiro
