Fortaleza chega aos 300 anos e, quando penso nisso, algo mexe comigo. Não porque minha história seja igual à da cidade, mas porque caminharam juntas, entrelaçadas como os fios de um varal que balança ao vento equatorial. Fortaleza sempre foi uma cidade viva, cheia de encontros, ideias e gente que acredita. Gente como a que conheci no meu Antônio Bezerra, onde aprendi que uma cidade é feita de histórias simples que, juntas, se tornam grandeza.
Desde cedo entendi que conhecer Fortaleza era aprender a escutar. Escutar as ruas, as praças, as escolas, os movimentos culturais. Escutar as pessoas. A cidade sempre falou de muitas formas, e eu escolhi prestar atenção. Vi bairros se fortalecendo, projetos nascendo, oportunidades surgindo onde antes só existia esperança.
Tem algo especial em viver Fortaleza. Às vezes, no quintal, bate uma saudade boa, como na música de Calé Alencar e Fausto Nilo. E ali eu reconheço a cidade. O vento, o varal, o jeito simples de viver. Fortaleza é isso: um lugar onde cada canto guarda uma história, onde cada pessoa carrega um pedaço dessa construção.
Na minha trajetória, decidi caminhar com a cidade, não só olhando, mas participando. Sempre acreditei que política de verdade se faz com presença, escuta e compromisso com as pessoas, principalmente com quem mais precisa. Fortaleza me ensinou que desenvolvimento não é só número. É cuidado. É olhar nos olhos e reconhecer que todo mundo importa.
Também vi Fortaleza crescer, valorizar sua identidade, seu jeito acolhedor, sua cultura, sua diversidade. Uma cidade que se reinventa, que encontra força na própria gente e que segue criando oportunidades. Isso sempre me motivou a continuar contribuindo.
Fortaleza também me formou como pessoa. Moldou meu jeito de ver o mundo e reforçou em mim a certeza de que uma cidade só é boa quando inclui, acolhe e cuida. Cada experiência, cada encontro, só fortaleceu isso. Celebrar os 300 anos de Fortaleza é celebrar tudo isso que construímos juntos. É olhar para trás com gratidão e para frente com esperança, daquela que tem base, que vem da nossa história e da nossa gente.
Eu confio na força do nosso povo, na capacidade de seguir avançando sem perder suas raízes. Fazer parte dessa história é uma honra. E sigo aqui, caminhando junto com a cidade, acreditando que o futuro vai continuar sendo construído por todos nós, sem deixar ninguém para trás.
Acrísio Sena
Historiador e filho de Fortaleza
