A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 17, a Operação Indébito, que teve como um dos alvos a deputada federal cearense Gorete Pereira (MDB). Ela é apontada pela corporação como “articuladora política” em um esquema de desvio de recursos de benefícios pagos pelo INSS por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Além da deputada, também foram alvos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota. Os dois foram presos e são apontados pela PF como “figuras proeminentes da organização criminosa”.
A Polícia Federal chegou a pedir a prisão de Gorete, mas o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido e determinou apenas o monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica. A deputada também foi alvo de um mandado de busca e apreensão.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares.
Conforme a PF, Gorete atuaria como articuladora política do esquema, tendo “influência para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas”.
O líder do esquema, segundo a corporação, seria Natjo de Lima Pinheiro. Ele seria o administrador financeiro responsável por definir estratégias e organizar o pagamento de propinas. Já Cecília Rodrigues Mota seria a articuladora central da organização criminosa, responsável por dar aparência de legalidade às fraudes, além de “coordenar operações financeiras ilícitas e intermediar relações com agentes públicos”.
A PF também apontou que o trio controlaria diversas associações que teriam “laranjas” nas presidências e diretorias. Segundo os investigadores, os três manteriam “controle real” das entidades “por meio de procurações” e do “controle absoluto dos recursos financeiros”.
Em nota, a deputada Gorete Pereira afirmou que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”. Segundo ela, “sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade”.
A defesa do empresário Natjo de Lima Pinheiro afirmou considerar “a prisão preventiva decretada uma medida desnecessária e desproporcional” e informou que tentará reverter a decisão.




