O poema Tudo o que Puder Ser, de Kleber Mineiro, é um convite direto à inquietação, daquelas que tiram da zona de conforto e empurram para a vida em sua forma mais intensa. Em versos livres e marcados por uma linguagem acessível, o autor propõe uma ruptura com padrões, medos e limitações que, muitas vezes, aprisionam o indivíduo em versões incompletas de si mesmo. Mais do que uma reflexão, o texto funciona como um chamado à coragem de mudar, de se reinventar e de assumir, sem reservas, a própria essência:
Mude,
com a leveza do vento
e a fúria do mar.
Desmonte o que cansa,
desfaça o que aprisiona,
desaprenda o que te ensinaram
a aceitar calado.
Não se deite no morno,
não viva no quase,
não respire o pouco —
isso não é viver,
é sobreviver em parcelas.
Troque de pele, de rota,
de verso, de voz.
E se a alma sangrar,
deixe sangrar…
é sinal de que ainda pulsa,
de que ainda quer mais.
Mude até se reconhecer
nos próprios passos,
até se olhar no espelho
e não pedir desculpas
por ser quem é.
E quando se encontrar,
não se contenha:
desate-se.
Não se resuma —
amplie.
Não se esconda —
reluza.
Seja tudo.
Tudo o que arde,
o que cura,
o que dança no abismo
com olhos de esperança.
Seja verbo inteiro,
poema em carne viva,
grito que ecoa,
silêncio que entende.
Mas nunca, nunca seja
o rascunho de si.
Você nasceu para ser
obra-prima.
akam.
