Mais de 60% das mulheres cearenses afirmam ter medo de sofrer violência sexual. O dado, revelado em matéria do G1 Ceará e destacado por esta coluna, expõe uma realidade grave e persistente, que ultrapassa estatísticas e atinge diretamente a liberdade e a dignidade feminina.
A pesquisa mostra que esse medo influencia comportamentos cotidianos. Muitas mulheres evitam sair sozinhas, mudam trajetos, horários e até a forma de se vestir. Trata-se de uma restrição silenciosa, que limita o direito básico de ir e vir.
O problema não está restrito a um único ambiente. O receio se estende às ruas, ao transporte público e, em muitos casos, até dentro de casa. Isso revela uma crise estrutural que exige resposta firme do poder público e da sociedade.
Os dados reforçam o que já se percebe na prática: a sensação de insegurança cresce e afeta diretamente a qualidade de vida das mulheres. Não se trata apenas de combater crimes, mas de restaurar a confiança e garantir proteção efetiva.
Não é mais aceitável conviver com esse cenário. É fundamental avançar com leis mais duras, punições mais severas e maior celeridade na Justiça. Ao mesmo tempo, é indispensável investir em prevenção, educação e políticas públicas que enfrentem a raiz do problema.
A violência contra a mulher não pode ser relativizada nem tratada como algo comum. O medo não pode fazer parte da rotina.
A pergunta que permanece é inevitável: até quando?




