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Entre o silêncio e a barbárie: até quando o Sertão Central vai assistir à violência contra a mulher?

Quixeramobim precisa, com urgência, de uma Delegacia 24 horas e de uma estrutura especializada de atendimento à mulher. A presença efetiva desses equipamentos não pode mais ser tratada como algo secundário. É uma necessidade real, urgente e inadiável

Foto: Divulgação/PCCE

O Sertão Central do Ceará volta a ser palco de cenas que não podem e não devem ser naturalizadas. Em um intervalo de poucos dias, dois casos brutais escancaram uma realidade que insiste em persistir: a violência contra a mulher segue avançando, mesmo diante de leis, campanhas e estruturas institucionais.

Em Quixeramobim, uma jovem foi vítima de uma tentativa de feminicídio marcada por extrema violência, sofrendo mutilações que chocaram a população. Não se trata apenas de um crime. Trata se de uma demonstração cruel de dominação, de desprezo pela vida, de uma violência que ultrapassa qualquer limite.

Dias antes, em Deputado Irapuan Pinheiro, uma adolescente teve sua vida interrompida de forma brutal. Uma história interrompida, uma família devastada, uma sociedade que mais uma vez se pergunta até quando.

A coluna acompanha atentamente essa sequência de casos de feminicídio no Sertão Central. É impossível não dizer com todas as letras: é inadmissível.

Não faltam leis no Brasil. A Lei Maria da Penha está em vigor, o feminicídio é tipificado como crime hediondo, existem medidas protetivas e uma rede institucional pensada para acolher e proteger. Também existem equipamentos importantes do Governo do Estado, como Delegacias da Mulher, unidades com funcionamento ininterrupto e a Casa da Mulher Cearense.

Mas é preciso trazer a discussão para mais perto da nossa realidade.

Quixeramobim precisa, com urgência, de uma Delegacia 24 horas e de uma estrutura especializada de atendimento à mulher. A presença efetiva desses equipamentos não pode mais ser tratada como algo secundário. É uma necessidade real, urgente e inadiável.

A prevenção ainda falha. A educação ainda é insuficiente. A mudança de mentalidade não acompanha a gravidade dos fatos.

A violência contra a mulher não começa na agressão física. Ela começa no controle, no ciúme doentio, na ameaça silenciosa, na naturalização de comportamentos abusivos. Quando chega ao extremo, como nos casos recentes, já percorreu um longo caminho de omissões individuais e coletivas.

Não podemos mais agir apenas depois da tragédia.

É urgente fortalecer a educação nas escolas com foco no respeito e na igualdade, ampliar campanhas permanentes de conscientização, garantir canais seguros de denúncia e assegurar proteção real às mulheres que já estão em situação de risco.

Também é fundamental que a sociedade deixe de relativizar. Não é conflito de casal. Não é impulso momentâneo. É violência. É crime. Muitas vezes, é o prenúncio de uma morte anunciada.

Os comentários nas redes sociais revelam indignação, revolta e um forte clamor por justiça. Mas também mostram um padrão preocupante: a indignação que se dissipa com o tempo, até que um novo caso volte a chocar.

Esse ciclo precisa ser rompido.

O Sertão Central não pode se acostumar com a barbárie. Quixeramobim não pode mais esperar por estruturas que salvam vidas.

Não aguentamos mais.

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