A versão final do parecer da PEC que propõe o fim da escala 6×1 deve ser apresentada na próxima segunda-feira, 25, pelo relator, deputado Léo Prates. As negociações seguem travadas principalmente por causa do prazo de adaptação para a nova jornada de trabalho.
Enquanto o texto ainda passa por ajustes, integrantes do governo defendem que a redução da carga horária semanal comece já em 2026, com corte inicial de duas horas na jornada atual. A proposta prevê uma diminuição gradual até chegar às 40 horas semanais.
O principal ponto de divergência está justamente na velocidade dessa transição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer acelerar a mudança e argumenta que o governo já flexibilizou a proposta original, que previa jornada de 36 horas semanais.
Em reunião realizada nesta sexta-feira, o relator discutiu alternativas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e parlamentares aliados do governo. Uma das possibilidades debatidas foi iniciar a redução com uma hora a menos ainda neste ano e seguir diminuindo outra hora a cada 12 meses, o que levaria a uma transição de três anos.
Já a ala governista propõe um modelo mais rápido: redução imediata de duas horas e, depois, queda de uma hora por ano, encurtando a adaptação para dois anos.
Sem consenso, Prates decidiu adiar a apresentação do relatório, alegando necessidade de ajustes no texto.
Conforme adiantou a analista da CNN Isabel Mega, antes da votação da PEC, Lula também deverá se reunir com Hugo Motta e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para discutir o formato da transição.
Durante entrevista à TV Brasil, Lula afirmou defender a redução imediata da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial. O presidente criticou propostas consideradas lentas demais para a implementação das mudanças.
Outro ponto ainda indefinido é a data de entrada em vigor da nova regra. A proposta em discussão prevê validade após 90 dias da aprovação, embora haja divergências: o relator defendia inicialmente 120 dias, enquanto o governo tenta reduzir o prazo para 60 dias.
