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Ceará concentra quatro das cinco cidades mais violentas do Brasil em 2024, aponta levantamento

O número chama atenção por estar muito acima da média brasileira, estimada em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período. Na prática, a taxa registrada em Maranguape ficou quase quatro vezes acima do índice nacional

Foto: Divulgação/Prefeitura de Maranguape

O Ceará concentrou, em 2024, quatro dos cinco municípios com maiores taxas de homicídio do Brasil entre cidades com mais de 100 mil habitantes. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, 26, e colocam Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, no topo do ranking nacional, com índice estimado de 87,2 mortes por 100 mil habitantes.

O número chama atenção por estar muito acima da média brasileira, estimada em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período. Na prática, a taxa registrada em Maranguape ficou quase quatro vezes acima do índice nacional.

O levantamento foi produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e utiliza dados referentes ao ano de 2024. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) destacou que os indicadores mais recentes apontam redução da violência nas cidades citadas após o reforço das ações policiais.

Segundo a pasta, Maranguape apresentou queda de 95,8% nos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O índice engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Maracanaú, que aparece na terceira colocação nacional em letalidade, também registrou forte redução nos CVLIs, com queda de 90,4% no mesmo intervalo. Em Caucaia, a diminuição foi de 39,1%, enquanto Itapipoca teve retração de 16,7%.

O estudo aponta que a violência letal no Brasil tem se intensificado principalmente em cidades de médio porte, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. Entre os fatores apontados pelos especialistas estão a expansão das facções criminosas para o interior e a ampliação do controle territorial exercido pelo crime organizado.

Outro ponto destacado no relatório é a sofisticação das atividades criminosas desenvolvidas pelas facções, o que tem fortalecido sua atuação fora dos grandes centros urbanos.

Das quatro cidades cearenses citadas entre as mais violentas do país, três estão localizadas na Região Metropolitana de Fortaleza: Maranguape, Maracanaú e Caucaia. Diante desse cenário, o Governo do Estado criou, em dezembro do ano passado, uma estrutura específica do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) voltada para a RMF. A unidade reúne quatro delegacias responsáveis por investigar crimes violentos nessas cidades e também em Pacatuba.

No interior do Ceará, a SSPDS afirma que ampliou o sistema de videomonitoramento, que atualmente conta com mais de seis mil câmeras em funcionamento. A pasta também destaca a expansão das bases do CPRaio, presentes em cerca de 43% dos municípios cearenses, além da atuação da Ciopaer com unidades distribuídas em Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crateús e Quixadá.

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