A inteligência artificial tem ampliado sua presença no setor de saúde suplementar no Brasil e já faz parte da rotina de diversas instituições privadas do país. A tecnologia vem sendo aplicada para agilizar diagnósticos, otimizar processos internos e diminuir desperdícios operacionais.
De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2025, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), cerca de 26% das instituições privadas de saúde utilizam ferramentas de IA em atividades como análise de exames, emissão de laudos, auditorias e gestão administrativa. Considerando redes públicas e privadas, a média nacional de adoção é de 18%, enquanto nas unidades vinculadas ao SUS o índice chega a 11%.
O avanço da tecnologia é apontado pelas empresas como uma alternativa para reduzir gargalos históricos da saúde suplementar, entre eles a repetição desnecessária de exames, faltas em consultas, demora na interpretação de imagens médicas e falhas operacionais.
Entre as empresas que já investem na área está a Hapvida NotreDame Intermédica, que passou a utilizar sistemas de auditoria baseados em inteligência artificial para análise de exames e imagens médicas. Segundo a operadora, a precisão dos sistemas varia entre 95% e 99%. A companhia também anunciou recentemente um plano de expansão de R$ 2 bilhões voltado ao uso de tecnologia e inteligência de dados, com foco em produtividade e redução de custos.
A Rede D’Or também vem ampliando o uso de algoritmos preditivos em sua estrutura operacional. Conforme divulgado pela empresa, a integração tecnológica com a SulAmérica gerou ganhos de eficiência avaliados em cerca de R$ 1,4 bilhão.
Na área de medicina diagnóstica, a Dasa aposta em plataformas integradas de inteligência artificial para reunir históricos clínicos de pacientes e evitar a repetição de exames, considerada uma das principais causas de desperdício financeiro no setor.
Para o advogado especialista em Direito da Saúde Ricardo Yamin, do YFN Advogados, a expansão da IA representa uma transformação significativa no funcionamento das empresas de saúde, mas precisa ser acompanhada de critérios regulatórios e responsabilidade técnica.
Segundo ele, embora a tecnologia possa aumentar a eficiência e reduzir custos bilionários, a decisão final sobre diagnósticos e tratamentos deve continuar sob responsabilidade humana. O especialista destaca ainda que o desafio do setor será equilibrar inovação tecnológica, segurança assistencial e proteção aos pacientes.
A pesquisa TIC Saúde 2025 ouviu 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde de todo o Brasil entre fevereiro e novembro do ano passado. O levantamento foi elaborado com base em informações do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.




