O ponto onde Zé estaciona seu táxi tem vista para o mar. O protagonista do novo romance da cearense Rhaina Ellery tem sua pacata vida abalada no dia em que esquecem uma criança em seu carro. “Nunca Gostei do Mar” é uma história de ficção que explora a ambiguidade da família, ao mesmo tempo seio acolhedor e espaço de solidão. O enredo, que apresenta a cidade de Fortaleza como paisagem e personagem, narra também a amizade.
O livro será lançado na sexta-feira, 12, Dia dos Namorados, às 18h, na Artesano Casa e Galeria (Rua Vicente Leite, 743, Aldeota, Fortaleza).
A publicação acontece pela editora Patuá. Rhaina Ellery tem seu trabalho destacado por escritores como Stênio Gardel e Camila Chaves e editores como como Schneider Carpeggiani, que, sobre o novo livro, ressalta:
“A vida, e às vezes esse romance, nos ensina que tudo é passível de adoção: uma profissão, um novo amor, o próprio nome, uma língua, e até um bebê desconhecido, largado no banco de trás. Temos aqui um livro em que todos os personagens parecem ter adotado algo ou alguém, ou passado adiante alguma coisa, em busca de sobreviver. Eles vão pegando um pedaço dali e outro daqui, para seguir em frente, para montar um todo. Zé, o protagonista, adotou um casamento com Grace e seu filho. Grace adotou o álcool. O filho, ah esse adotou um pai que poderia ser o avô, levando junto umas doses de amor e ódio. Enquanto precisa lidar com tudo o que adotou na vida, entre elas a profissão de taxista, Zé se vê envolvido com o abandono de um bebê no banco do seu carro. A situação fica ainda mais enlouquecedora, quando a criança abandonada parece ser a única peça a fazer sentido numa existência desde sempre radical. Na busca de ordenar o caos, Zé tem por companhia a única coisa que foi dele desde que nasceu, que é sua e talvez de mais ninguém ali: Fortaleza e seus bairros de subúrbio, seus condomínios de luxo e suas praias que, de tão poderosas, às vezes é preciso até confessar um ‘nunca gostei do mar’ para aguentar. Um romance adotado por uma cidade”.
O livro antecessor do novo trabalho, “Mas Não Guardo Rancor”, romance também publicado pela Patuá, foi lançado em 2023, na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, abordando centralmente o tema da maternidade. Agora, com a paternidade em foco e questionando características culturalmente atribuídas ao masculino e ao feminino, Rhaina Ellery retorna com uma história que demandou um ano e meio de preparação e escrita, até a chegada ao fio narrativo consolidado.
“Nunca Gostei do Mar” tem um narrador onisciente, “intruso”, como destaca a autora. É essa voz que conduz a pessoa leitora pela vida de Zé, taxista morador do Pirambu, com ponto de táxi na rua João Cordeiro, quase esquina com rua Historiador Raimundo Girão (onde, de fato, existe um ponto de táxi, na Fortaleza dos transportes por aplicativos).
“A narrativa nasceu do desejo de escrever sobre abandono: de pessoas, de ilusões, do ideal de Fortaleza”, revela Rhaina Ellery. “A história trafega por asfaltos e personagens esburacados até chegar à certeza de que o último destino é só”.
Sinopse
O ponto onde Zé estaciona seu táxi tem vista para o mar. Ao lado de Magão, seu parceiro de espera, Zé percorre histórias de uma cartografia agonizante. Depois de uma corrida, conhece Grace e seu recém-nascido. O homem se apaixona pelo que vê. Adota o filho, a paciência para lidar com o alcoolismo da mulher e traça um novo caminho, o destino. Segue sua direção, trafega pela cidade assombrada, até que um dia esquecem uma criança em seu táxi. É só então que ele vai regressar para o sentido de Fortaleza.
Outro paralelo interessante, ressalta Rhaina Ellery, vem entre o protagonista e o padroeiro de Fortaleza, unidos pelo mesmo nome, no livro que estampa na capa a obra visual “Iniciadas”, de 2023, assinada pelo artista cearense Diego de Santos. A partir desse encontro simbólico entre Josés, na narrativa do romance, novos jogos e códigos se propõem para o imaginário do leitor.
Mais sobre a autora
Rhaina Ellery nasceu em Fortaleza, em 1980. É procuradora da Fazenda Nacional e especialista em Escrita e Criação. Integrou o grupo de estudos sobre História da Arte, na Galeria Multiarte, e escreveu crônicas quinzenais para o site Bemditojor. Em 2023, teve o conto “O tobogã” como destaque no Prêmio Off FLIP e “A mancha” como um dos contos premiados pelo Prêmio de Literatura Unifor. Em 2024, participou com o conto “Ponta desfiada” da coletânea “Tanta Coisa a Gente Inventa” que homenageou o compositor, cantor e arquiteto cearense Fausto Nilo.
Evento de lançamento sexta, 12
O evento de lançamento de “Nunca Gostei do Mar” acontece na noite de sexta-feira, 12/6, Dia dos Namorados, às 18h, na Artesano Casa e Galeria. Na ocasião, haverá sessão de autógrafos e bate papo com a professora de História da Arte e psicanalista Ana Valeska Maia, e a escritora e psicanalista, Camila Chaves.
Serviço: Lançamento de “Nunca Gostei do Mar”, novo livro da escritora cearense Rhaina Ellery. Sexta-feira, 12, às 18h, na Artesano Casa e Galeria (Rua Vicente Leite, 743, Aldeota). Entrada gratuita. O livro será vendido no local, ao preço de R$ 60. Vendas online em www.editorapatua.com.br e www.amazon.com.br.




